Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 11/10/2019

A série espanhola “As Telefonistas”, encenada em Madri dos anos 20, conta a história de quatro mulheres que, ao entrarem no mercado de trabalho, causam uma grande revolução de costumes em uma sociedade extremamente conservadora. Atualmente, mesmo após muitas conquistas no que concerne aos direitos femininos, é visível que os casos de assédio sexual no Brasil crescem, seja por reflexos sociais arcaicos, seja pela passividade governamental, o que sufoca a autonomia e a dignidade da mulher. Logo, remediar tal problema é imprescindível.

Em primeira análise, vale ressaltar a visão machista como uma das causas do assédio. Segundo a escritora Chamamanda Adichie, o problema de gênero consiste em descrever como a mulher deve ser, ao invés de reconhecer como ela é, de maneira análoga, percebe-se que o patriarcalismo subjuga o direito de ir e vir, empoderamento e as vestimentas da figura feminina. Prova disso foi o título adotado pela revista Veja ao referir-se a ex primeira dama Marcela Temer, intitulada “Bela, Recatada e do Lar”. Tal expressão apoia a postura machista, justificando que aquela que não se encaixa nesse padrão está a margem do respeito social e propícia ao assédio.

Em segunda análise, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicabilidade também estejam entre as raízes do problema. Apesar de o assédio sexual já ser classificado pela constituição como um crime, os índices dessa violação aumentam a cada dia devido a dificuldade de se fazer a denúncia e a ineficiência da lei. De acordo com dados divulgados pelo jornal Datafolha, a cada 1 minuto uma mulher é assediada no Brasil, no entanto, apenas 7% dos casos de assédio são denunciados. Essa baixa estatística em relação às denúncias está ligada, conforme à revista, à certeza de impunidade por parte das vítimas. Nesse sentido, é notária a vulnerabilidade feminina frente a essa questão.

È importante, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esse grave problema. È preciso que o Ministério da Educação insira no currículo escolar aulas sobre a igualdade de gênero, trabalhando livros e filmes que retratem o assédio e a luta feminina em prol dos seus direitos, promovendo o alerta e a orientação frente a esse emblema. A mídia deve usufruir de seu poder persuasivo através de campanhas sobre valorização e orientação a cerca dos direitos da mulher. Outrossim, o governo deve desenvolver uma ouvidoria especializada em casos de assédio, aumentar a pena para esse crime e punir efetivamente qualquer ato dessa natureza. Para assim, garantir a plena autonomia e a dignidade feminina na sociedade brasileira.