Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 05/03/2020

Na série televisiva “Sex Education”, a personagem Aimee, retratada como uma menina gentil, sofre, no ônibus a caminho da escola, um caso de assédio sexual, no qual um homem ejacula em sua calça. Apesar de fazer, após muita insistência de sua amiga Maeve, um boletim de ocorrência, esse fato a marcou profundamente, causando traumas psicológicos irreversíveis. Analogamente, numa visão ampla da sociedade brasileira contemporânea, observa-se um grave quadro: o culto à violação sexual das mulheres. Nesse sentido, torna-se imperioso comentar sobre a existência de um paradigma, o qual, importunamente, incita a objetificação das mulheres nos dias de hoje.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, a manifestação de um paradigma: o abuso sexual é normal. Em suma, por ser um panorama frequentemente constatado no país, adota-se um arquétipo deturpado acerca da problemática. Evidência disso é a reportagem do “Fantástico”, em setembro de 2019, a qual mostra comentários “on-line” que tentam justificar os altos índices de estupro em São Paulo, utilizando, como argumento, o vestuário das vítimas, ou seja, alterando a real causa do problema, os agressores, a fim de normalizar o assédio sexual no Brasil. Logo, é mister a ação da Educação para quebrar o modelo supracitado.

Por conseguinte, enquanto essa conjuntura perdurar, o arquétipo da violência sexual promove a objetificação da mulher, visto que, quando esses crimes sexuais são cometidos, a mulher, devido à normalização dessa faceta, é posta em uma posição passível de uso alheio. Assim como no experimento científico-social, que alude à sociedade atual, “Universo 25”, de John B. Calhoun no qual arquitetou-se um local perfeito para o desenvolvimento dos ratos como sociedade, porém, no dia 91 da utopia dos ratos, observou-se as fêmeas sendo utilizadas unicamente para relações sexuais. Sendo assim, considerando a semelhança entre seres humanos e os ratos, como população, é válido dizer que logo adentraremos na última fase do experimento, “o declínio”, na qual as fêmeas suicidavam-se, pois não se sentiam amparadas, o que urge atitude perante a tempestiva problemática.

Infere-se, portanto, que compete ao Governo, por meio de alterações na Base Comum Curricular (BNCC), inserir a realidade da violação sexual nas escolas, quebrando, logo cedo, paradigmas que desafiam a dissolução do assédio sexual no país, objetivando contextualizar a triste realidade vivenciada pelas mulheres hodiernamente. Visando ao mesmo objetivo, a sociedade pode, ainda, divulgar e promover campanhas que enalteçam o feminismo, pois, somente assim, observar-se-iam mulheres que divergem de passar pelo trauma de Aimee, em “Sex Education”.