Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 28/03/2020
No livro distópico O Conto da Aia, da escritora canadense Margaret Atwood, a protagonista Offred relata os inúmeros casos de violência e objetificação que as mulheres sofrem no país de Gilead, o qual é regido por um regime teocrático totalitarista que naturaliza esta situação de total violação dos direitos delas. Para além da ficção, segundo a Lei de número 10.224, é classificado como crime de assédio sexual atitudes de cunho libidinoso que agridam e intimidem a vítima, visando, assim, seu bem-estar. Contudo, a romantização deste ato, aliada ao temor em relação às consequências de denunciá-lo, apresentam-se enquanto obstáculos à mitigação deste problema.
Nesse contexto, segundo o escritor estadunidense Allen Ginsberg, ’’ Quem quer que controle a mídia, as imagens, controla a cultura’’. Desse modo, é bastante comum que os meios de veiculação de informações promovam novelas e obras literárias que, erroneamente, apresentam uma visão romântica da cultura da importunação sexual, ocorrendo, dessa forma, a naturalização desta e contribuindo para a sua perpetuação, uma vez que parte da população que sofre esse tipo de assédio, prejudicada pela falta de orientação devida, não irá se reconhecer enquanto vítima, e nem se mobilizará para mudar este cenário.
Ademais, muitas pessoas que são assediadas optam por não denunciar a agressão, pois temem reações por parte do agressor que possam agredí-las tanto física quanto moralmente, podendo constranger a vítima publicamente. Nesse viés, a sociedade exerce forte repressão psicológica na vítima, uma vez que, ao, habitualmente, culpabilizá-la pelo assédio, cobra mudanças em seus hábitos, como a forma de se vestir, os locais que frequentam e os horários em que circulam, violando, assim, os seus direitos e liberdade. Dessa forma, há certa isenção da culpa do assediante, posto que essa é direcionada ao agredido, o que dificulta a aplicação da justiça em defesa deste.
Portanto, a fim de reduzir os casos de assédio sexual, é necessário que os Governos promovam palestras em praças públicas, por meio da contratação de advogados e psicólogos, que abordem este tema, esclarecendo-o à população de forma devida. Dessa maneira, as pessoas teriam orientação de como não contribuir à perduração da prática e da banalização do assédio. Em adição, é inexorável que os Governos fiscalizem o teor abusivo dos conteúdos televisivos e literários que apologizam a romantização e a normalização dessas agressões, com a finalidade de preservar a integridade moral e psíquica das vítimas. Em vista disso, a realidade do livro O Conto da Aia não será repetida no mundo real.
, quanto a psicológica exercida pela sociedade, uma vez que é comum a culpabilização do assediado.
Ademais, muitas pessoas que são assediadas não denunciam a agressão sofrida por temerem algum tipo de reação por parte do agressor , seja física ou psicológica. Nesse viés,