Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 14/04/2020

O Brasil é formado por um conjunto de povos de origens europeia, africana e indígena. Com isso, diversas características dessas sociedades foram herdadas, inclusive os problemas sociais, como o assédio sexual que produz desafios na atual sociedade. Assim, os desafios proporcionados são o patriarcalismo presente e a continua objetificação da mulher no meio social.

A priori, a presença do patriarcalismo nas relações sociais proporciona um empecilho na redução de casos de assédio. Dessa maneira, Sérgio Buarque De Holanda, historiador brasileiro, argumenta que as raízes da sociedade brasileira se encontram no período colonialista, havendo diversos problemas provindos daquele tempo e que continuam reverberando atualmente. Nesse sentido, é possível perceber que o patriarcalismo herdado dos povos formadores do Brasil produzem uma relação de inferioridade na mulher, o que exige dela a submissão e a aceitação de ordens e regras sociais implementadas para oprimir e inferiorizar ela. Exemplo desse rebaixamento da mulher era ela não ter voz política até a Era Vargas ou ser vista pela sociedade somente como mãe e dona de casa, sem espaço no meio social para trabalhar, para viver e para ser livre.

A posteriori, a objetificação da mulher cria um desafio a ser combatido para a redução do assédio sexual. Dessa forma, Pierre Lévy, filósofo francês, argumenta que o real é impulsionado pelo virtual, o que permite o público atingido seja maior. Nessa perspectiva, a mulher é objetificada nos meios de comunicação, sendo retratada como produto sensualizado e sexualizado que tem como função produzir prazer ao homem e para a sociedade, o que acarreta em consequências sociais como o assédio e o abuso de relações com elas. Exemplo dessas consequências são as cantadas recebidas pelas mulheres nas ruas, no qual uma pesquisa realizada pelas jornalistas Juliana de Faria e Karin Hueck, na sua campanha ‘‘chega de fiu fiu’’, exibe que 83% das mulheres não gostam desse tipo de comentário, o que faz elas se sentirem desconfortáveis e desrespeitadas.

Portanto, O Ministério da Educação, em parceria com as escolas públicas e privadas, deve realizar ações, como gincanas, eventos e palestras, por meio de ideias que combatam o patriarcalismo na sociedade, da mesma forma que jogos esportivos fazem, expondo a mulher como participante e como igual ao homem, para que dessa forma o pensamento de superioridade suma e o grupo feminino se sinta respeitada. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com a mídia, deve realizar ações, como filmes e programas, por meio de personagens femininas fortes, da mesma forma que os quadrinhos e outros filmes já realizam, colocando elas como peça fundamental da história e discutindo a ideia de objetificação nesses espaços, para que assim haja um fim dessa perspectiva pejorativa.