Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 19/05/2020
O Realismo, movimento literário Brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que os desafios para reduzir os casos de assédio sexual, persistem atrelados à realidade do país, seja pelos riscos à saúde das vítimas, seja pela cultura machista. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito a fim de garantir a segurança e o respeito às mulheres.
A priori, vale destacar que a Constituição Federal de 1988 garante direitos igualitários a todos os cidadãos. Entretanto, o que se observa é a violação destes, haja vista que muitas mulheres são vítimas de assédio sexual e sofrem constantemente, na maioria das vezes caladas, danos que comprometem o bem-estar das mesmas e que podem deixar sequelas duradouras. Além disso, diferentemente do que está presente no imaginário popular, o assédio sexual não consiste somente no contato físico, mas também, em quaisquer falas que podem deixar a vítima constrangida ou desconfortável. Contudo, esse tipo de assédio, mesmo sendo o mais comum, é o mais difícil de ser detectado em virtude da dificuldade em reunir provas e punir os agressores.
A posteriori, é imprescindível salientar que a cultura machista impermeada na sociedade atual torna ainda mais árdua a tarefa de combate ao assédio sexual, dado que por acreditarem na superioridade masculina, muitos homens agem de maneira ofensiva e e se julgam no direito de invadir o espaço pessoal das mulheres sem respeitar as vontades delas. Essa realidade se reflete, diretamente, no mercado de trabalho em que diversos homens que ocupam cargos superiores ao das mulheres presumem ter o direito de intimida-las e oprimi-las no ambiente profissional sem que ajam consequências para tais atos. Deste modo, tal problemática pode ser ilustrada pelo filme Ricos de Amor, em que a Personagem Paula, residente de medicina, é assediado por seu chefe que a favorece no hospital com o objetivo de obter vantagens sexuais com a jovem.
Em razão dos fatos mencionados, cabe à Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, em parceria com o Governo Federal, promover através da elaboração de campanhas nas redes sociais e em lugares públicos, uma conscientização coletiva a respeito da importância de se combater o assédio sexual e de suas consequências na vida das mulheres. Ademais, cabe às empresas, criarem ouvidorias especializadas em receber denúncias, que preservem a identidade das vítimas, a fim de incentivar mais mulheres a reportarem seus casos e a garantir que os agressores sejam punidos. Desta maneira, com o propósito de solucionar tais mazelas e adversidades que comprometem o bem-estar humano.