Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 29/05/2020
A sociedade brasileira vive um paradoxo: os interesses individuais se sobrepõem aos anseios coletivos. Em um cenário assim, é de se salientar a necessidade de uma mudança no número de casos de assédio sexual, em que o homem para atender seus prazeres não pensa no mal que pode causar na vida da mulher agredida. Isso ocorre, em grande medida, porque transformações ocorridas no Brasil fomentam discussões exaltadas acerca do assédio sexual verbal, bem como a respeito do assédio sexual físico.
Um mergulho profundo no panorama histórico brasileiro permite afirmar que desde o século XIX as mulheres estão lutando pelos seus direitos através do Movimento Feminista. Nesse ponto, as mulheres desse século passado já lutavam contra o assédio, principalmente os sofridos pelas escravas negras que eram diariamente utilizadas como objeto de prazer. No século XXI o assédio verbal está presente fortemente, segundo a jornalista Juliana de Faria, pode-se afirmar que segundo a campanha “Chega de Fiu Fiu”, 83% das mulheres consultadas não gostam de receber cantadas na rua, demonstrando que esses atos precisam acabar.
Paralelo a isso, o assédio sexual físico tem frustado muitas mulheres e as deixando com diversos traumas psicológicos. O problema desse abuso sexual, aliás, não é uma questão simples, pois impacta diretamente a população feminina a ponto de muitas mulheres terem medo de frequentar locais públicos. Como se não bastasse, as vítimas desse assédio carregam a culpa de que não se deve utilizar roupas curtas nem decotadas, quando na verdade são os homens que devem ser ensinados a não estuprar. Logo, não se pode negar que o corpo da mulher vem sendo sexualizado e objetificado de maneira inaceitável.
Evidencia-se, portanto, que o assédio sexual constitui um obstáculo para a consolidação de uma sociedade mais segura. Nesse sentido, é importante que as mulheres não se calem diante das agressões, como dizia Malala Yousafzai: “Não percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciadas”. Para diminuir o número de casos de assédio sexual urge que as mulheres juntas empoderem umas as outras encorajando-as a denunciarem os agressores de forma que esses sejam devidamente punidos. Além disso, é necessário que o Ministério da Justiça aumente o tempo penal para assediadores com o intuito desses agressores pararem de praticar covardias. Nessa direção, acredita-se que a mulher reconquistará seu espaço na sociedade.