Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 03/06/2020
Foi notícia de repercussão nacional que, em 2017, um homem se masturbou e ejaculou em uma mulher dentro do transporte público. Nesse contexto, casos como esse, de assédio sexual, persistem, de maneira problemática, na sociedade, haja vista que se baseiam na raiz histórica da desigualdade de gênero a qual, por sua vez, cria mulheres que se sentem impotentes ante tal conjuntura, prejudicando a atenuação do problema.
De início, cabe elucidar que a profunda influência histórica torna a redução dos casos de violação sexual um desafio. Sob esse ângulo, de acordo com Simone Beauvoir, expoente do feminismo, ser mulher é uma construção social. Isso quer dizer que a forma como o sexo feminino é enxergado hodiernamente é resultado de mentalidades vetustas. Em síntese, visto que existiu, por muito tempo, a noção errônea de superioridade masculina, muitos homens contemporâneos acreditam poder dominar o corpo da mulher, o que resulta em crimes de assédio sexual.
Além disso, a mentalidade supracitada também está presente em mulheres, o que torna a atenuação de assédios sexuais mais desafiadora. Nesse sentido, por causa da crença na suposta inferioridade, boa parte das mulheres se sente envergonhada e culpada pela importunação sexual e isso dificulta a realização de denúncias. Prova disso é que, segundo o Ministério dos Direitos Humanos, 53% das brasileiras convivem, passivamente, com o esse entrave. Dessa forma, é necessário modificar crenças enganosas que ainda perpassam a atualidade.
Portanto, observa-se que é imprescindível mitigar a mentalidade ilusória de superioridade masculina para reduzir os crimes de importunação sexual. Por conseguinte, é imperioso que a Escola atue na informação dos estudantes e seus responsáveis, por meio da promoção de eventos educativos - não só incentivando a denúncia, mas também instruindo as famílias sobre como agir em casos de abusos parentais -, a fim de inteirar o corpo social de que as mulheres devem ser respeitadas. Assim, situações como a noticiada em 2017 serão, gradativamente, extinguidas.