Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 04/06/2020

A série “Sex Education”, produzida pela Netflix, aborda, em um de seus episódios, o abuso sofrido pela personagem “Aimee”, enquanto utilizava o transporte público. Na situação, um homem ejacula na calça da jovem, deixando-a traumatizada pelo ocorrido. Infelizmente, situações de importunação sexual como essa não destoam da realidade brasileira, a qual enfrenta desafios no combate à redução dos casos de assédio. Esse cenário nefasto ocorre tanto em razão de fatores históricos, quanto de fatores sociais presentes na conjuntura tupiniquim.

Em primeiro plano, é válido destacar que o patriarcalismo estrutural é um intensificador das situações de assédio no Brasil. Na história da humanidade, a mulher sempre foi inferiorizada e considerada como algo inerente ao homem, pois, direitos como o de poder trabalhar, votar e viajar sem autorização prévia do marido são marcos recentes, o que gera, na atualidade, um ambiente onde a figura masculina é colocada como autoridade, seja no âmbito laboral, seja no espaço doméstico. Dessa forma, é internalizada uma cultura na qual os mesmos acreditam que possam realizar delitos contra a figura feminina, tendo em vista sua situação de privilégio histórico.

Consequentemente, esse contexto traz implicações `a sociedade, na qual é presente a constante objetificação da figura feminina. Conforme a filósofa Simone de Beauvoir, o homem é definido como ser humano e a mulher, como fêmea. Tal afirmação pode ser aplicada ao cenário vigente, no qual músicas de teor machista, como os Funks Cariocas são muito populares, contribuindo para a chamada “Cultura do Estupro”, na qual as agressões físicas e psicológicas contra as mulheres são banalizadas e cada vez mais presentes em lugares públicos, como ônibus, metrôs e baladas.

Portanto, medidas orquestradas são necessárias para a resolução do impasse. Cabe, então, ao Ministério da Educação, por intermédio de proposta de lei entregue à Câmara dos Deputados, inserir no Programa Nacional de Educação a história e as conquistas da mulher mediante ao contexto mundial. Tal inserção pode ser realizada por projetos nas aulas de sociologia, que busquem mitigar o machismo e o sexismo cultural da sociedade e que deem ênfase a importância do respeito para com todas as mulheres. Dessa maneira, espera-se que casos de assédio não venham mais a ocorrer.