Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 01/07/2020

A série  “Sex Education”, da Netflix, é uma série que aborda a questão da sexualidade entre o mundo dos adolescentes. Sendo assim, em um dos seus episódios, uma das personagens, Aimee, sofre assédio sexual em um transporte público, o que trouxe diversos abalos psicológicos para ela. Fora da ficção, principalmente no Brasil, muitas mulheres vivem situações análogas a de Aimee, de modo que torna-se necessário a discussão do problema que é tentar reduzir o assédio sexual. Esse imbróglio está interpenetrado na cultura machista e na falta de políticas públicas.

Constata-se, a princípio, que o machismo na sociedade brasileira atua como propulsor para a problemática do assédio. Nesse sentido, tal problema origina-se desde a época da colonização brasileira, durante o ciclo da cana-de-açúcar, em que todos as funções administrativas do engenho eram designadas a homens, e afazeres domésticos, à mulheres - o que acabou dando origem a dinâmica patriarcal. Nessa lógica, essa paradigma social tornou-se como fator para a inferiorização da condição da mulher e a objetificação do seu corpo, levando ao cenário que é visto hoje em dia: a intensa fixação sexual ligada à figura da mulher. Desse modo, se essa situação se perpetuar, o assédio continuará a tornar-se cada vez mais comum.

Outrossim, somado ao supracitado, a ausência de políticas públicas potencializa ainda mais a prática do assédio sexual. Nesse contexto, Platão, filósofo da antiguidade, dissertara que a política deveria ser uma atividade elevada e nobre, marcada pela busca do bem-estar do corpo social. Todavia, o atual panorama político, no que tange à preservação da integridade da mulher, é  inexistente, desvirtuando a ideia do pensador. Consequentemente, por não ter medidas legislativas específicas na punição do assédio sexual, cria-se um sentimento de impunidade para tal crime, o que deixa aberto para mais delitos desse porte acontecerem. Dessa maneira, enquanto essa situação for a regra, uma sociedade livre e justa nunca será uma opção.

Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas sejam encontradas para obliterar os desafios para reduzir os casos de assédio sexual. Para isso, o Estado, junto ao Ministério da Educação, deve desmistificar esse perfil machista da sociedade brasileira, por meio da intensificação de aulas de História e Sociologia, que irão trabalhar, mediante documentários e filmes, a questão da mulher na sociedade, salientando a isonomia e a equidade, a fim de atenuar a problemática. Ademais, o Governo, junto ao Poder Judiciário e Legislativo, deve criminalizar de vez o assédio sexual, por intermédio da criação de um pacote de leis específicas, as quais irão, de forma eficiente e rápida, levar à punição aos assediadores, no fito de coibir o problema e que a situação de Aimee fique só na ficção.