Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 26/06/2020

Na série “13 reasons why”, a personagem principal chamada Hannah Baker sofre por assédio sexual e é estuprada por um colega de classe, o que torna esse fato um dos motivos pelo qual ela se suicidou. Sob essa estória que se aproxima da realidade de muitas mulheres brasileiras, é evidente como suas denúncias de abuso são ignoradas pela a sociedade, uma vez que o machismo estrutural permite que a cultura do estupro seja difundida. Diante disso, é evidente como essas formas de opressão contra as mulheres se configuram nos desafios para resolver tal problema, o que acaba gerando a falta de denúncias desses casos, posto que a mulher é vista como culpada pelo que sofreu.

Nessa conjuntura, de acordo com a escritora romena Carmen Sylva “uma mulher é apedrejada pela ação que poderia ter sido praticada por um homem perfeito”, mesmo tal frase sendo escrita por volta do século XIX ela se assemelha muito com a modernidade, pois essa abordagem demonstra perfeitamente como o machismo estrutural funciona na sociedade. Sob essa perspectiva, cabe ressaltar como o machismo estrutural acarreta uma visão deturpada do que é ser mulher, favorecendo a comunidade masculina  nos âmbitos econômicos, políticos e sociais, o que fomenta a ideia de submissão do corpo feminino, uma vez que, na sociedade brasileira, o homem é o detentor do poder. Dessa maneira, com essa subordinação, a mulher sente que não possui o direito de denunciar em casos de violência sexual.

Ademais, esse sentimento de incapacidade e de invisibilidade que a a mulher sente é explicado pela culpa que a sociedade a faz carregar quanto ao assédio que sofreu, tal subjugação é implantada pela cultura do estupro desde muito cedo tanto nas mulheres quanto nos homens, o que acarreta em enormes estatísticas sobre o número de mulheres violentadas. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Além disso, quanto aos números de mulheres que sofrem por abuso, por ano, segundo o mapa da violência, chegam aos 50 mil, acreditando que isso seja apenas 10% da estatística real. Dessa forma, é evidente como denunciar é o fator principal para se combater os imensos números de casos de assédio sexual.

Logo, é indubitável que os desafios para reduzir os casos de assédio são problemas estruturados culturalmente no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Mulher por meio do Ministério da Educação promover campanhas que denunciem como a cultura do estupro fomenta essa violência contra a mulher, a fim de conscientizar a importância de denunciar e  pôr fim à culpabilização da mulher. Além dessas medidas, urge que o Ministério da Justiça e da Segurança Pública  incentivem a denúncia dos casos de assédio, mediante à disponibilização de maior segurança à vítima, para que assim essas mulheres vítimas de abusos não sigam o destino de Hannah Baker, e possam viver livres desse mal.