Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/06/2020
Na série britânica Sex Education, Aimee, aluna da escola Moordale High, é assediada sexualmente dentro do transporte público enquanto ia para a escola. Fora da película, muitas mulheres sofrem diariamente como a fictícia Aimee, uma vez que ainda existem desafios para reduzir os casos de assédio sexual no Brasil. Dessa maneira, a fim de reverter esse cenário de desrespeito, cabe combater a cultura machista e a omissão social diante dessa problemática.
Em primeiro plano, o machismo legitima essa realidade de descaso para com as mulheres. Isso porque a estrutura patriarcal enraizada na sociedade ao longo dos séculos dificulta a vivência plena da mulher, visto que essa é subjugada a um papel secundário e de dependência à figura masculina. Em razão disso, esses se veem “donos” dos corpos femininos e, por isso, dotados do direito de assediar livremente – como no caso de Aimee. Exemplo disso são os dados do Datafolha, o qual 5 a cada 10 mulheres jovens já foram assediadas no Brasil. Ora, um panorama caótico que precisa ser combatido.
Em segundo plano, a omissão do corpo social contribui no agrave desse problema. A esse respeito, o filósofo Pierre Bourdie afirma que os indivíduos tendem a criar, reproduzir e, por conseguinte, cristalizar ideias no imaginário coletivo. De maneira análoga a teoria de Bourdie, a sociedade, uma vez acostumada com a repetição dos casos de assédio, naturaliza esse crime perverso, o que tolhe o direito de liberdade da mulher e perpetua uma cultura violenta e de opressão. Logo, enquanto essa inação social se mantiver, o irrespeito é protelado.
Impende, pois, que medidas devem ser tomadas para reduzir os casos de assédio sexual. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação -representante máximo da educação no país -criar um projeto nas escolas, intitulado “Assédio não”, mediante parceria com ONGs de direitos humanos, a fim de conscientizar as crianças sobre o assunto, desde a mais tenra idade, por meio de palestras e rodas de conversa, para que se compreenda a gravidade dos atos de importunação sexual e respeitem o espaço e o direito individual de cada um. Ademais, a mídia deve veicular campanhas de combate ao assédio, por meio de ficções engajadas, com o objetivo de incentivar denúncias e promover um ambiente de amparo às vítimas. Assim, situações como a da fictícia Aimee não precisem mais ser vivenciadas por nenhuma mulher.