Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 26/06/2020

A série televisiva americana “Law&Order” retrata, ao longo de vinte temporadas, sobre casos de crimes sexuais, com uma unidade especializada. Nesse sentido, percebe-se que o programa foi inspirado na realidade de muitos indivíduos, primordialmente mulheres, o que caracteriza uma mímesis, pois existe uma imitação em relação à vida real. Posto isso, cabe analisar os fatores que tornam a situação do assédio dificultosa para seu combate, sendo um deles: o machismo, favorecido pelas relações de poder dentro da comunidade.

Constata-se, a princípio, que embora as mulheres tenham garantido seus direitos civis e sociais, o machismo contribui para as situações de assédio no país. Isso pode ser explicado pela persistência das relações de poder na sociedade, as quais, segundo o filósofo Michel Foucault, são responsáveis por ações que consistem em um sentimento de superioridade. Nesse panorama, a sociedade patriarcal e machista é favorecida pela errônea concepção de dominação dos homens sobre as mulheres, o que é um empecilho para o movimento feminista progressista, tendo em vista que busca igualdade e respeito ao gênero feminino. Dessa maneira, é perceptível a necessidade do rompimento da visão retrógrada do corpo social.

Sob esse prisma, os avanços feministas favoreceram proteção às mulheres, como, por exemplo, os vagões femininos em transportes públicos em horário de pico. Entretanto, a relação de poder supracitada ainda é um resquício da sociedade patriarcal que insiste em se manter na sociedade atual, tal como, homens que não respeitam o espaço das mulheres. Pode-se pontuar como exemplo o caso da atriz Laryssa Ayres, a qual publicou um vídeo em suas redes sociais sobre um indivíduo que se recusava a sair do espaço restrito. Tal persistência ocorre pois ainda que existam medidas, faz-se imprescindível uma mudança socioeducativa.

Em face do exposto, percebe-se que existe um grande desafio acerca da cultura do assédio no Brasil, tendo em vista que é mantida pelo machismo. Portanto, cabe ao Ministério da Educação inserir na grade curricular do ano letivo, desde a educação primária, atividades e projetos elucidativos sobre a necessidade da igualdade de gênero, por meio da inserção do programa nas Leis Diretrizes e Bases da Educação, direcionando o investimento socioeducativo à minimização do assédio, pois os indivíduos crescerão sem o sentimento de disparidade social. Feito isso, a mímesis será rompida e o problema abordado tornar-se-á, quiçá, ficcional, pois com os feitos, haverá uma redução do impasse.