Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 30/06/2020

A série original da Netflix “Sex education”, mostra em um dos seus episódios um caso de assédio cometido no transporte público, onde a personagem Aimee depara-se com um dos passageiros se auto erotizando e ejaculando em sua perna,  o que acaba lhe acarretando vários problemas psicológicos. Fora da ficção, é sensato afirmar que tal ocorrência torna-se muitas vezes banal, atingindo números assustadores de recorrências e possuindo raízes em uma cultura que inferioriza as mulheres seguida pelo desrespeito a constituição brasileira de 1988.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que há na sociedade uma cultura enraizada de desrespeito para com as pessoas do sexo feminino. Conforme a análise da socióloga Wânia Pasinato, especialista no combate de violência contra a mulher, existe uma desigualdade estrutural que designa as damas a um lugar de submissão e menor poder em relação aos homens e que portanto, “mulheres sofrem violência por serem mulheres”. Tal análise pode ser confirmada com dados fornecidos pelo portal de notícias G1, apontando que 97% das brasileiras maiores de 18 anos já sofreram assédio. Diante disso, constata-se que existe uma consciência que determina a existência feminina a servidão masculina e que portanto estas é que devem adotar comportamentos que evitem a violência, bem como a sua maneira de se vestir.

Em segundo plano, vale salientar que o ato de assediar é paradoxal a constituição brasileira de 1988, que em seu artigo 5° prevê que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Observa-se em conformidade com a campanha chega de fiu fiu que apenas 15% das mulheres não tiveram seu corpo tocado sem permissão. Portanto, torna-se evidente a falta de consideração para tal problema social.

Em suma, para que haja redução destes casos é de tamanha importância que o governo adote de medidas de conscientização para o público masculino, que promovam questionamentos e debates sobre o assunto, bem como a campanha carnavalesca do Não é não. Ademais, criar medidas alternativas de fácil acesso a mulheres em perigo, como o recente botão de denuncia a violência contra a mulher no aplicativo de compras Magalu, inaugurado no dia internacional das mulheres de 2020. Estabelecimentos públicos também devem ajudar a causa adotando códigos como o “drink la penha” disponível em um bar do Rio Grande do Sul  para moças em apuros, onde os funcionários do estabelecimento acompanham a vítima a um lugar seguro e chamam a polícia. Cercadas por compreensão e proteção, essas vidas podem caminhar para um futuro mais respeitoso e igualitário.