Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 11/07/2020

Segundo o filósofo Platão, “o importante não é viver, mas viver bem”. Dessa forma, a qualidade de vida tem tamanha importância que ultrapassa ao da própria existência. Entretanto, no Brasil, esse pensamento é somente teórico, pois a problemática do assédio sexual é um grave problema que se deve à permanência do machismo na sociedade. Com isso, tendo em vista os sérios desafios que a população feminina enfrenta, maiores medidas devem ser tomadas pelo Estado junto à sociedade.

Nesse contexto, desde o período da Antiguidade Clássica, na Grécia, a mulher tinha o seu papel diminuído em comparação ao papel do homem na sociedade. Nessa perspectiva, esse machismo estruturado dava a percepção de que a figura feminina era um objeto de posse do homem, tendo o direito sobre o seu corpo abdicado.  Sob esse prisma, atualmente, no Brasil, esse pensamento machista continua circulando na sociedade em diversas maneiras, sendo o assédio sexual uma violência recorrente entre o público feminino, corroborando em diversos casos de agressão contra a mulher, como a violência psicológica, física, sexual, entre outros.

Ademais, uma pesquisa do IBGE revela que cerca de 85% das entrevistadas afirmaram que já tiveram seu corpo tocado sem seu consentimento no espaço público. Além do mais, entre os anos de 2009 e 2011 ocorreram cerca de 17 mil feminicídios no país. Nessa lógica, fica evidente o quão grave é a recorrência de casos de assédio sexual no país, sendo o machismo um importante fator no aumento desses casos de violência contra a mulher, já que com a contínua objetificação do corpo da mulher na sociedade, o público feminino tem seus direitos básicos, como segurança e bem-estar social, negligenciados, indo de encontro aos Direitos Humanos, presente na Constituição Federal de 1988.

Portanto, o Estado em parceria com a Mídia devem realizar um projeto de conscientização social, por meio de vias midiáticas - como em propagandas - abordando a gravidade do assédio sexual na sociedade e as suas consequências. Além disso, o Ministério da Educação em conjunto com ONGS devem realizar um projeto educacional, por intermédio de palestras e seminários em escolas e instituições de ensino básico e superior, em todo o país, com profissionais qualificados no assunto para a discussão do assédio sexual na sociedade e o combate ao machismo no Brasil. Desse jeito, com o objetivo de que a população tenha maior perspectiva sobre a gravidade do assédio sexual, por conta do machismo, e assim, tenham uma melhor qualidade de vida, como no pensamento de Platão.