Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 31/07/2020

O seriado brasileiro Coisa mais Linda - que se passa no fim da na década de 50, retrata a vida de quatro mulheres, entre elas Malu que é assediada sexualmente por um político carioca. Tal cenário apresentado na série ainda é uma realidade enfrentada pelas mulheres - mesmo depois de sete décadas, uma vez que os índices de assédio sexual são crescentes na contemporaneidade.

Nesse sentido, tem-se como primeiro vetor desse imbróglio é a ineficácia das políticas públicas de proteção a mulher, visto que o fato dessas medidas protecionistas existirem não inibe a ocorrência de violência contra a mulher. Acerca disso, se observa o levantamento realizado pelo IBGE, órgão governamental de pesquisa, o qual afirma que a cada uma hora uma mulher sofre assédio sexual no Brasil. Esse dado demonstra que as políticas de proteção - como a lei Maria da Penha são insuficientes para garantir a segurança da mulher. Logo, a inação estatal dá ao agressor o poder, posto que ele sai impune pelo crime cometido.

Sob essa perspectiva, vale ressaltar ainda o machismo como agravante dessa celeuma, posto que está enraizado no imaginário popular que o homem é superior a mulher. Alude sobre isso as críticas feitas por Rachel de Queiroz a essa ideologia no seu livro ´´O Quinze``, o livro que tem mais de 90 anos demonstra que o assédio sexual não é uma problemática recente na sociedade. Dessa maneira, a cultura do machismo deixa as mulheres vulneráveis, já que com o homem sendo superior elas não têm voz de decisão.

Urge, portanto, a necessidade do Ministério da Mulher e da Família, órgão governamental, melhorar o alcance das políticas de proteção, por meio da criação de maneiras discretas - por exemplo um aplicativo com a função disfarçada - de denunciar o agressor, a fim de garantir a segurança da vítima de assédio. Ademais, é oportuno que o MEC, responsável pela educação, realize aulas temáticas e estimule o debate entre os alunos, com o intuito de suscitar o fim do ideal machista nas novas gerações.