Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 25/07/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a realidade por medo de saírem da zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática em relação à cultura do assédio. Nesse contexto, percebe-se a formação de um grave problema de contornos específicos, em virtude da impunidade e do receio de denúncias que contribuem para esse legado.
Primeiramente, é valido destacar o contexto histórico em que o país está envolvido. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-strauss, só é possível interpretar ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o assédio mesmo que fortemente pressente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, como por exemplo, programas de televisão que objetificam as mulheres, o que dificulta ainda mais a resolução da questão.
Consequentemente, por normalizar situações de assédio, a impunidade torna-se um cenário frequente. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a impunidade em um lugar qualquer é um entrave para a justiça em qualquer lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como resultado a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança entre as mulheres, pois, mesmo dentre os casos que são denunciados, uma pequena parcela é julgada e condenada e acaba gerando um círculo vicioso.
Fica claro, portanto, que medidas estratégicas são necessárias para resolução do problema. Para esse fim, é necessário que o Ministério da Justiça e o da Saúde, juntos, realizem duplamente ações punitivas e atendimentos psicológicos aos agressores e as vítimas. Enquanto esse se daria em postos de saúde, por meio de acompanhamento profissional especializado em tratamentos pós-traumáticos, aconteceria por meio de agilização dos processos já abertos a fim de garantir que o cenário de impunidade e injustiça seja modificado.