Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 31/07/2020

Já no século XIX, José de Alencar retratava as grandes mazelas sofridas pelo grupo feminino. Lucíola uma de suas personagens mais famosas sofreu abusos sexuais aos 14 anos e recordava nitidamente a dor e a tristeza a qual sentia naquele momento. Ainda hoje, a cultura do assédio se mantém presente, sendo legitimada socialmente pela necessidade sexual masculina e pela vulgaridade feminina.

Em primeiro lugar, a violência sexual é muitas vezes justificada pela “irracionalidade” sexual dos homens. A figura do ser masculino foi historicamente ligada ao potencial sexual e reprodutivo. Isso naturaliza a sexualização de tudo por parte dos homens inibiu o poder de escolha e arbitragem das mulheres nesse âmbito. Os desejos sexuais masculinos começaram, a partir disso, a serem vistos como irracionais, imprescindíveis e incontroláveis se tornando aceitável se expressarem em qualquer lugar e com qualquer pessoa. Sendo os problemas da sociedade fruto dos indivíduos, torna-se necessária a configuração dos pensamentos individuais acerca da necessidade sexual do homem.

Além do esteriótipo masculino, a criação de um padrão feminino fundamenta a cultura do assédio. A representação da mulher como algo puro, virgem e angelical faz com que esses abusos sexuais e estupros sejam justificados pela vestimenta e pelo comportamento da vítima. Mesmo após a geração “mal do século” a mulher ainda é idealizada o que gera uma classificação entre as honrosas, como Aurélia do livro Senhora de Alencar, e as vulgares, como Lucíola, as quais são colocadas como merecedoras dos abusos.

Fica clara, portanto, que a naturalização da violação sexual ainda vigente no Brasil é sustentada pelo esteriótipo feminino e masculino presentes na sociedade. Sendo necessário que o Ministério da Mulher e dos Direitos Humanos em conjunto com o Ministério da Educação desmitifique conceitos errôneos sobre a sexualidade das mulheres e dos homens e mostre a pluralidade de ambos por meio de debates e apresentações sobre educação sexual, identidade e assédio como feito no Instituto Prómundo, objetivando alterar construções sociais negativas. Além disso, cabe as delegacias protegerem as mulheres, atendendo à um maior número de denúncias e punindo os agressores afim de que nenhuma mulher passe pela situação sofrida por Lucíola.