Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 14/08/2020
Na obra “O Segundo Sexo”, a escritora francesa Simone de Beauvoir aponta o gênero como algo performático e construído socialmente ao citar: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. No entanto, no cenário atual brasileiro, há um discurso patriarcal e sexista que padroniza um determinismo biológico em relação as mulheres. Nesse contexto, caracterizadas como “sexo frágil”,essas são, constantemente, submetidas à violência sexual e moral. Desta feita, é notória a necessidade em discutir e analisar os principais impactos dessa problemática, intrinsecamente ligada a aspectos histórico-culturais.
A priori, vale ressaltar que a herança patriarcal do corpo social tem raízes históricas. Decerto, desde a Grécia Antiga as mulheres atenienses eram criadas e educadas para executar afazeres domésticos e ser submissa ao seu marido. Nesse âmbito, ao seguir a teoria machadiana da ausência de virtudes como inerência ao homem, observa-se um errôneo enraizamento ideológico de que o valor da mulher está ligado a suas condutas morais e sexuais, o qual repercute em práticas machistas e atos misóginos no cenário atual. Sob essa ótica, segundo o Jornal Datafolha, pelo menos quatro em cada dez brasileiras já relataram ter sofrido assédio sexual. Desse modo, há urgência em reformar valores da sociedade civil, visto que a perpetuação de tais ações atentam contra a dignidade humana.
Sob outro prisma, como Durkheim propôs no conceito de Anomia Social, quando um grupo não exerce sua função, há um desequilíbrio na coletividade. Nessa perspectiva, a cultura do estupro, ideologia social que banaliza, legítima e justifica a violência contra a mulher, aliada ao descaso estatal, o qual se mostra míope às condições evidenciadas e não disponibiliza recursos suficientes para combater essa mazela coletiva, contribuem para uma visão estereotipada de culpabilização da vítima. Nesse viés, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 8% dos municípios brasileiros tem delegacias especializadas no atendimento à mulher.Logo, é indiscutível a necessidade fecunda de mudança dessa realidade distópica.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação e Cultura(MEC), órgão responsável pela formação de cidadãos instituídos de ética, em parceria com a Delegacia da Mulher, realizem campanhas socioeducativas pautadas na valorização feminina, por meio de palestras em ambientes escolares e midiáticos, afim de desconstruir a mentalidade patriarcal e misógina da sociedade, e eventualmente, amenização dos casos de assédio. Ademais, torna-se imperativo que o Governo Federal assegure atendimento às vítimas de violência, mediante a construção de mais Delegacias da Mulher e fornecimento de atendimento psicológico gratuito, visando corrigir o estado e “Anomia Social”. Assim, ter-se-á uma sociedade ideologicamente “curada” e mais segura para as mulheres.