Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 05/10/2020

Apenas Ficção

A série “Anne with an E”, em um de seus episódios, apresenta um caso de assédio sexual direcionado à Jossie Pye. A personagem em questão é assediada por seu futuro marido e é culpabilizada pelo ato. Fora da ficção, inaceitavelmente, os casos de assédio sexual continuam presente na sociedade e, por vezes, colocam a vítima na posição de responsável pelo crime. Destarte, o problema é motivado tanto pelo patriarcado, quanto pelo descaso social.

Vale destacar, a princípio, o patriarcalismo como promotor da problemática. Isso porque o pensamento vigente até meados do século XX, sustentado pela ciência, era de que a mulher é mais frágil que o homem. Nesse sentido, a sociedade patriarcal surge como um sistema em que o homem é o centro estrutural e exerce as funções de liderança familiar e social, uma vez que é dotado de capacidades biológicas para realizar essas obrigações. Determinada estrutura impõe, ao sexo feminino e aos descendentes, a submissão ao chefe familiar e, consequentemente, propicia os casos de assédio sexual, posto que, de acordo com o modelo patriarcal, deve-se total obediência ao chefe familiar. Constata-se, desse modo, a necessidade de mudanças nesse padrão comportamental ultrapassado.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é o descaso social. Nessa perspectiva, destaca-se que significativa parcela populacional age motivada por ideologias externas, restringindo sua consciência individual. Assim, mesmo o indivíduo possuindo condições de auxiliar a vítima, acaba por desprezar o ocorrido, alegando que não é problema seu ou que, nos casos em que o assédio ocorre dentro de casa, “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. A exemplo desse empasse, pode-se citar a canção “Un violador en tu camino”, a qual foi convertida em um hino feminista no Chile e, posteriormente, no mundo todo, no final de 2019. A cantiga exterioriza a ideia de que a sociedade e o próprio Estado são, em parte, culpados pela assédio sexual, uma vez que evitam, por vezes, dar atenção ao quão grave é essa problemática, deixando, assim, a vítima à mercê do assediador.

Sendo assim, medidas são necessárias para alterar essa questão. Logo, o Governo Federal, em parceria com a iniciativa privada, deve, por meio da sanção de leis, buscar dar autonomia total às mulheres, afim de fazer com que elas possuam confiança para denunciar o assédio que ocorre nos núcleos familiares, sabendo que terão capacidade de sobreviver sem o assediador. Além disso, à sociedade cabe o dever da denúncia, sendo essa por meio de ligações aos números dos órgãos de defesa: 180 ou 190. À vista disso, os casos como o de Jossie Pye serão apenas ficção e essa problemática deixará de afligir a sociedade brasileira.