Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 06/10/2020
De acordo com a ‘‘Agenda 2030’’, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres são alguns dos principais objetivos para transformar o mundo. Todavia, tal perspectiva ainda não se efetivou, pois os casos de assédio sexual constituem preocupante realidade. Tal situação é corroborada, sobretudo, por fatores históricos e midiáticos que criam nefastas noções de superioridade masculina.
Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que a figura feminina foi predominantemente considerada inferior ao longo da história. Nesse viés, o filósofo grego Aristóteles destaca que ‘‘a mulher é um homem incompleto’’, evidenciando a forte misoginia existente desde a Antiguidade. Diante disso, é notório que o arcaico pensamento social a respeito das mulheres, construído ao longo dos séculos, influenciou diretamente as práticas preconceituosas do cenário hodierno, estimulando os casos de assédio sexual. Desse modo, torna-se claro que os agressores são exortados à prática do crime por meio do cultivo histórico de iníquas ideias de hegemonia masculina, verificando-se, assim, a gravidade da problemática em questão.
Ademais, a mídia atua como forte propulsora de estereótipos de gênero e pensamentos preconceituosos. Sob esse prisma, a delimitação de funções predeterminadas a homens e mulheres, devido a meras características físicas e biológicas - noção difundida pelo determinismo biológico do século XIX -, é extremamente nociva à sociedade. Exemplo disso é a produção de filmes e desenhos animados que reforçam lesivas relações de dominância, conferindo amiúde largo protagonismo aos personagens masculinos. Dessa maneira, cria-se um ambiente cultural que banaliza e legitima a violência contra a mulher, intensificando os casos de assédio sexual e, por conseguinte, revelando a urgência de atitudes que revertam tal infausto cenário.
Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da problemática em questão, que carece de soluções. Logo, cabe ao Ministério da Educação o estímulo, nas escolas, ao ensino sobre os impactos causados pelo assédio sexual sobre o público feminino. Tal medida deve ocorrer por meio de palestras e seminários - adaptados à idade dos alunos - proferidos por professores e especialistas do campo das Ciências Humanas, visando desconstruir pensamentos misóginos erguidos historicamente. Outrossim, setores midiáticos devem buscar o engajamento na luta pelo empoderamento feminino, a fim de promover, posteriormente, a mudança de postura da grande mídia. Após tais medidas, tornar-se-á possível efetivar os objetivos supracitados pela ONU.