Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 22/10/2020
O livro “ A Cor Púrpura” é um romance que se passa nos anos de 1930, sendo a narrativa escrito por Alice Walker, no qual se lê cartas de Celie, a protagonista enxerga a vida com tristeza e na infância fora constantemente estuprada por quem acreditava ser seu pai. Todavia, o assédio em todas as suas faces está longe de ser fictício, uma vez que ele se manifesta incisivo na contemporaneidade. Nesse sentido, é imprescindível a análise acerca do contexto histórico brasileiro, além da atuação do Estado, que funcionam como empecilho para a construção de uma sociedade igualitária.
A priori, cabe ressaltar a construção histórica da imagem na mulher. Destarte, a Idade Média fora marcada pela submissão da mulher, a qual era objetificada e sua função era de satisfação sexual do homem alicerçada a reprodução. Sob esse viés, a cultura machista perdura e impulsiona a violência contra o sexo feminino, posto que os indivíduos procuram justificativas para essas ações, como o uso de roupas curtas e coladas. Por conseguinte, os agressores argumentam que suas ações acontecem em função da própria mulher ao provocar os seus desejos, revertendo a vítima em culpada. Diante disso, a perpetuação do assédio é vinculada a imagem do que “ é ser mulher”, sendo um dado performático e social, característico de cada sociedade por criações de padrões. Esse ponto de vista, está em acordo com máxima de Simone Beauvoir, “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.
Ademais, outro fator é a ausência da atuação do Estado frente a problemática. Nessa perspectiva, a violência física e psicológica com a figura feminina acorre em todos os locais, desde metrôs, ônibus, ruas, escolas, trabalhos e até mesmo na sua casa. Em razão disso, essas vivem assoladas pelo medo e temem por suas vidas. Vale enfatizar que, as pessoas que sofrem com o abuso tendem a desenvolver transtornos psicológicos, como a anorexia, bulimia e em alguns casos recorrem ao suicídio. Diante disso, o descaso do Estado com a ausência de políticas públicas que fortifiquem a proteção contra as vítimas corrobora para a manutenção do abuso e rompe com o ideal estabelecido pela Constituição de 1988, a qual designa a vida qualitativa dos cidadãos.
Diante desse contexto, se faz urgente que a MEC (Ministério da Educação), como órgão responsável pela educação, aborde temáticas nas escolas sobre o assédio e suas faces, por meio de palestras, sendo essas acompanhadas por profissionais da psicologia, a fim de auxiliar as jovens e romper com a construção histórica da imagem da mulher e torna-los adeptos ao pensamento de Beauvoir. Outrossim, é essencial que o Estado junto ao Ministério da Justiça, promova e reforce as políticas públicas já existentes, através da execução das leis em prol da ajuda das mulheres que sofrem com abuso, cumprindo seus ideais de direitos humanos e ficando próximo da legitimação da Constituição de 1988.