Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios para reduzir os casos de assédio sexual apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da imagem objetificada que a sociedade atribui à mulher, quanto da visão de inferioridade e submissão que a mídia representa delas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas social e cultural, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.

Precipuamente, é fulcral pontuar que os desafios para reduzir os casos de assédio sexual derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a objetificação da mulher na sociedade brasileira traz várias problemáticas com ela: a cultura do estupro, o padrão de beleza e a desqualificação da mulher. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a visão de inferioridade e submissão que a mídia representa como promotora do problema. Durante séculos, perdurou a imagem da mulher em condições equivalentes à de escrava, numa época em que ser livre significava, basicamente, ser homem. As funções primordiais femininas eram a reprodução, a amamentação e a criação dos filhos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a visão de inferioridade e submissão atribuída pela mídia contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o empecilho, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, será revertido em leis mais rigorosas direcionadas ao público feminino, através de punições severas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do óbice e a coletividade alcançará a Utopia de More.