Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/11/2020

Na obra “Utopia”, escrita por Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Porém, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios para reduzir os casos de assédio sexual apresentam barreiras, que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da questão constitucional e sua aplicação, quanto da herança patriarcal. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é crucial pontuar que os desafios para reduzir os casos de assédio sexual derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de atuação das autoridades, a questão constitucional e sua aplicação estão entre as causas do problema. Assim, é possível perceber que, no Brasil, os casos de assédio sexual atormentam a maioria das mulheres e 49% delas já sofreram desse mal, sendo na rua e nos transportes públicos os principais locais desses fatos com, respectivamente, 29% e 22% dos eventos, segundo pesquisas realizadas pelo Datafolha. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a herança patriarcal como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, desde períodos remotos, a figura de provedor da família serviu para a autoafirmação do sexo masculino. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, fato social é todo modo de pensar e agir que exerce certa pressão sobre a sociedade. Ao seguir essa linha de pensamento, testifica-se que a perpetuação da ideologia machista se encaixa na teoria, haja vista que não é comum a notificação de casos em que os homens acham-se no direito de violar a integridade feminina.

Portanto, medidas são necessárias para conter o avanço desse problema na sociedade brasileira. Desse modo, com o intuito de mitigar os desafios para reduzir os casos de assédio sexual, o Estado deve não apenas criar leis que defendam e protejam as mulheres, como também gerar maneiras ainda mais garantidas para que elas possam denunciar tranquilamente e, assim, se sintam mais protegidas. Ademais, a fim de desconstruir convicções errôneas de supremacia, é importante a atuação das escolas por meio de aulas interativas que elucidem a igualdade de gênero e o indispensável papel histórico-social feminino, buscar induzir o respeito e frear o pensamento machista que avança na história. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo desse problema e a coletividade alcançará a Utopia de More.