Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/11/2020

No Brasil, o assédio sexual está enraizado em sua história, e perdura desde o período de colonização até os dias atuais. Esse abuso pode ser expresso fisicamente, psicologicamente, ou, até mesmo, os dois simultaneamente. Dessa forma, há a necessidade de reduzir a perseguição à mulher, bem como conceder à elas um lugar de fala, visto que as entidades competentes negligenciam os atos com elas praticados.

Em primeiro plano, deve-se observar a história do Brasil, no período colonial, em que os homens brancos abusavam sexualmente das escravas. Tal ato era normalizado, e a cultura do estupro e do assédio era banalizada. Contemporaneamente, tem-se leis que possuem o dever de proteger a mulher desses atos, a exemplo da Lei Maria da Penha. A mulher, cujo nome deu origem à Lei, foi agredida e houve tentativa de homicídio por parte de seu marido, o que resultou em ela ficar paraplégica. Esse fato recebeu desleixo por parte do Estado, e, em consequência disso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por omissão e negligência do caso. Desse modo, apenas no ano de 2002, houve o surgimento da referida Lei, um avanço para as mulheres em decorrência do descaso estatal.       Outrossim, a cultura de apologia à agressão à mulher está muito presente no cotidiano dos brasileiros, representada por algumas músicas atuais, os chamados “funk pesadão”. O conteúdo dessas músicas faz referência à visão objetificada da mulher, a qual é reduzida apenas para satisfazer os desejos do homem. Nesse contexto, a visão de que o assédio é um mal real para todas às mulheres é vista como algo sem importância. Dessa maneira, percebe-se a magnitude das consequências resultantes da história do Brasil, assim como seus malefícios e problemas causados às gerações que se sucederam.

A fim de resolver essa problemática, é mister que o Estado, juntamente com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por meio de verbas destinadas à área, crie campanhas de luta pelos direitos das mulheres. Essas campanhas devem contar com um espaço seguro destinado à conversas e depoimentos de vítimas de agressão, com o intuito de que tais falas incentivem a denúncia de mais vítimas. Ademais, o Estado deve demonstrar, por meio de falas e depoimentos públicos, seu apoio e suporte às mulheres. Destarte, poder-se-á ter um futuro no qual a população esteja livre dos pensamentos e problemas passados, o que resultará em um futuro mais seguro para todas as brasileiras.