Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 22/11/2020

Desde o século das luzes, entende-se que uma sociedade só avança quando um indivíduo se sensibiliza com o problema do outro. Porém, esse ideal iluminista constata-se somente na teoria, e não na prática, já que, os desafios para reduzir os casos de assédio sexual ainda persistem hodiernamente, no Brasil. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da representação maléfica midiática e da banalização social.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a má influência da mídia dada a questão. Nessa lógica, para o sociólogo Pierre Bourdieu, a televisão, que deveria ser um instrumento que reflete a sociedade, acaba convertendo-se em meio que cria a realidade. Tal pensamento evidencia a realidade brasileira, uma vez que os meios de comunicação em massa exercem uma grande influência no comportamento das pessoas, criando uma “cultura do estupro” ao disseminar atitudes de assédio sexual como se fosse algo natural e inerente ao homem. Além disso, o silenciamento midiático em relação a essa violência e seus desafios acaba dificultando ainda mais sua resolução.

Outrossim, o descaso da sociedade , devido a uma mentalidade retrógrada, também configura-se como um entrave no que tange ao problema. Conforme o antropólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa ótica, é possível perceber que a questão do assédio sexual é fortemente induzida pelo pensamento coletivo, visto que, os indivíduos crescem inseridos em um contexto social opressor, a tendência é adotar esse comportamento também. Logo, as vítimas desse abuso acabam gerando um receio de denúncia, por medo de serem julgadas e tachadas de culpadas pela população e até mesmo pela própria família, sendo por consequência, marginalizadas socialmente.

Por tudo isso, faz-se necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem os jovens e a família sobre os desafios para reduzir o assédio sexual no Brasil, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Ademais, o Ministério da Justiça em parceria  com as mídias de grande acesso, devem ampliar os canais de denúncia, tanto via telefone, quanto online, por meio de publicações nas redes sociais e transmissões ao vivo, esclarecendo a importância das denúncias e a possibilidade de fazê-la anonimamente. Destarte, a harmonia no meio será restaurada gradativamente.