Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 19/04/2021

A música “Respeita”, escrita por Ana Cañas, diz em seus versos que " Você pensa que pode dizer o que quiser, respeita aí! Eu sou mulher, quando a palavra desacata, mata, dói. Fala toda errada que nada constrói. Constrangimento, em detrimento de todo discernimento quando ela diz não". A violência contra a mulher ocorre desde tempos remotos. O chamado assédio sexual é caracterizado pela quebra dos limites físicos da figura feminina, mas também pelo constrangimento verbal perante a mesma. A figura feminina sempre foi vista como a representação de um objeto pela sociedade patriarcal machista, que se considera uma imagem de poder e posse sobre a vida da mulher.

Primeiramente, é necessário analisar a situação dentro de um contexto iniciado há muitas décadas, em que a dama era submissa ao homem e criada dentro de uma cultura que a fizesse pensar que tudo o que ele falasse era verdade e deveria ser aceito. Uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) procurou saber a opinião de brasileiros em relação ao tema - os resultados mostraram que para a maioria dos entrevistados, a mulher deve “dar-se o respeito”, que ela deve obediência ao seu marido e que quem usa roupas mais curtas quer atenção e está pedindo para ser assediada. Os dados da pesquisa expõem um machismo fortíssimo ainda existente na sociedade atual, que busca controlar o corpo feminino e culpa a própria vítima pelos abusos sofridos.

Análogo a isso, existem milhares de consequências por conta desse pensamento arcaico, deixado às vítimas desse tipo de violência. Os principais exemplos são estupro, feminicídio e traumas psicológicos, como medo ou aversão a relações amorosas. A psicóloga Arielle Sagrillo explica que práticas consideradas inofensivas na opinião de determinadas pessoas, como as cantadas, podem legitimar a cultura do estupro, pois são atos que tem como função lembrar a mulher qual é o “lugar dela” na sociedade e o que pode acontecer caso ela não aceite isso. Segundo a profissional, essa prática remete à mulher que seu corpo é um objeto e serve apenas para satisfação do homem.

Sendo assim, a fim de combater a cultura do assédio no Brasil, o Governo Federal por meio do Ministério da Justiça, Delegacias de Defesa da Mulher e do Poder Legislativo devem, mediante uma política de enfrentamento à violência e abuso contra às mulheres, aumentar o número de delegacias para elas, tendo policiais do gênero feminino e leis que visem proteger cada vez mais essas vítimas, a fim de que todas as cidadãs tenham sempre proteção garantida em território nacional.