Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/05/2021

O Brasil se desenvolveu, historicamente, com bases da sociedade europeia em que as mulheres eram excluídas da participação política e no direito ao voto, situação esta que só foi revertida na primeira metade do século XX, durante o governo Vargas. Nesse sentido, a sociedade brasileira cresceu em bases paternalistas na qual as mulheres são tratadas como cidadão inferiores. Desse modo, tal problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas em relação a valorização do sexo masculino.

Diante disso, em uma sociedade patriarcal os atos de abusos e assédio contra as mulheres são naturalizados, principalmente dentro do meio familiar o que dificulta a denúncia contra o agressor. Por conseguinte, ditos populares como “briga de marido e mulher não se mete a colher” devem ser repensados e excluídos do social-ideológico das pessoas, pois mesmo com a criação da Lei Maria da Penha em que o intuito é prevenir e coibir a violência doméstica, é nesse ambiente em que as agressões são mais recorrentes. Portanto é importante que os vizinhos e amigos fiquem atentos aos sinais de violência que a mulher pode apresentar e, assim poder ajuda-la.

De maneira complementar, as meninas são criadas, para quando crescerem serem recatadas e do lar fazendo com que não saibam distinguir atos violência, física ou psicológica, de discussões particulares. Nesse âmbito, as mulheres são objetificadas, vistas como fontes de prazer dos homens devido uma herança machista e conservadora. Conforme o sociólogo Émile Durkhein, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, em que suas partes devem interagir entre si, portanto para romper com a segregação de gêneros e ter uma população democrática deve-se quebrar tais ideologias.

Em suma, é necessário que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para enrijecer as penas dos agressores, a fim de minimizar a reincidência das denúncias. Em conjunto, o Governo deve construir mais postos de delegacias especializadas que funcionem 24 horas para facilitar o acesso das vítimas em busca de ajuda e intervir o mais rápido possível nas queixas. Além de ser extremamente relevante, as escolas promoverem aulas interdisciplinares de sociologia, história que enfatizem a igualdade de gênero, para coibir os ideais machistas das futuras gerações.