Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 16/05/2021
“Uma das características da cultura é tornar normal o que não é”. A afirmação do historiador brasileiro Leandro Karnal simboliza claramente as dificuldades para reduzir os casos de assédio sexual, uma vez que a naturalidade com que a sociedade civil trata esse abuso, é o fato indubtável que o mantém no âmbito social. Desse modo, essa vicissitude tem origem inegável do machismo estrutural impregnado na civilização organizada. Nesse sentido, tanto a objetificação da mulher quanto a forma que a mídia retrata a figura feminina, contribuem para o agravamento desse fato social.
A priori, o assédio moral e físico sofrido pelas mulheres é intensificado pelo tratamento objetificado da sociedade. De acordo com a filósofa Simone de Beavouir, “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”, esse acerto pode facilmente refletir a objetificação da mulher, justamente por causa da habitualidade do âmbito civil em relação a esse tratamento coisificado. Dessa forma, urge um sentimento de pertencimento entre os homens com relação as mulheres, assim algumas figuras masculinas se sentem “à vontade” de assediar, pois possuem a ideia, que foi naturalizada pela sociedade, de que estão acima das figuras femininas, dessa maneira, tratando-as como objetos.
Ademais, a mídia também contribui sigficamente para a manutenção dessa problemática no espaço social. A música “Só Surubinha de Leve” do MC Diguinho, figurou entre os maiores sucessos do ano de 2018 no Brasil. No entanto, a letra dessa música é uma clara representação de um estupro, pois evidência que a mulher presente na canção foi embriagada, abusada e deixada na rua, assim revelando a forma a qual a mídia retrata as figuras femininas, desse jeito intensificando uma visão errônea de que as mulheres são pertencentes aos homens, dessarte evidenciando o machismo estrutural presente na sociedade.
Fica evidente, portanto, que o machismo presente no corpo social brasileiro é responsável pelo abuso moral e físico sofrido pelo sexo feminino. Para combater esses empecilhos, torna-se necessário que o governo federal atue por meio do Ministério da Família e da Mulher, para iniciar Plano Nacional Contra o Assédio, na qual realizara-se palestras elucidativas e campanhas públicas nos grandes meios de comunicação auxiliados pelo Movimento Feminista, com intuito de conscientizar a população dos problemas causados pelo assédio. Além disso, dentro desse mesmo projeto, o governo federal deverá aplicar multas a qualquer veículo de comunicação que representar a mulher de forma agressiva ou como inferior. Dessa maneira, a sociedade tomará consciência da cultura machista presente no corpo social, assim retirando-o aos poucos do âmbito social como mencionado pelo Leandro Karnal.