Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 21/07/2021
Na série “Sex Education”, a personagem Aimee sofre assédio sexual em um ônibus, ela pede por ajuda mas, infelizmente, é ignorada, apesar de não se importar de imediato, o trauma se desenvolveu e ela se tornou incapaz de andar de ônibus. Fora da ficção, esse tipo de abuso sexual é um problema comum e diário na vida das mulheres, que sofrem de tentativas de toques e avanços sem permissão e com brincadeiras e comentários de teor sexual. Diante dessa perspectiva, a desigualdade de gênero e a insuficiência legislativa agravam a problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a diferença de gênero como um obstáculo. Sob esse viés, de acordo o Fórum Econômico Mundial, em um ranking usado para medir a desigualdade entre homens e mulheres, o Brasil ocupou a 92° posição dentre 153 países. Nessa lógica, esse desequilíbrio encontra-se enraizado na sociedade devido ao machismo e patriarcado, que colocam o homem como “superior” em diversas relações sociais. Desse modo, as mulheres sofrem mais assédio e estão mais vulneráveis na sociedade, além de sofrerem com as consequência desse trauma como perda de autoestima, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. Logo, é inadmissível que esse tipo de violência continue a perdurar e fazer mais vítimas, já que conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 78% das mulheres já passaram por uma situação de assédio.
Ademais, é fundamental apontar a falha legislativa como impulsionador da questão no Brasil. Nesse âmbito, no seriado “13 Reasons Why”, o personagem Bryce embora tenha sido denunciado por abusar e assediar várias meninas, ele sai impune. Nessa linha de raciocínio, a impunidade e a culpabilização da vítima, leva muitas mulheres a não denunciarem seus casos. Nesse sentido, observa-se uma negligência estatal no incentivo a denúncia e na punição dos assediadores, mesmo com a existência de uma Lei que configura o assédio sexual como um crime. Com isso, as vítimas ainda tem o medo de ninguém acreditar nelas, e por isso não denunciam, o que leva aos aumentos dos casos desse crime.
Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parcerias com as mídias e psicólogos, realizarem a elaboração de campanhas publicitárias, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias digitais, com o objetivo de explicar como se caracteriza o assédio sexual e incentivar a denúncia dessa prática nos principais canais, além de fornecer apoio psicológico para as vítimas de forma gratuita, a fim de reduzir os casos de assédio sexual no Brasil.