Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 13/08/2021
O filme “O quarto de Jack” descreve a história de uma garota que, após ser raptada, viveu em cativeiro por anos sendo abusada sexualmente a qual teve um filho, fruto das relações tidas com o agressor. Fora da ficção, entretanto, no Brasil hodierno, casos semelhantes ao da jovem se fazem presente na realidade de diversas mulheres, em que já há naturalização do assédio sexual na cultura brasileira, fato que torna-se um quadro preocupante para o desenvolvimento da nação. Isso ocorre, sobretudo, pela herança patriarcal como também pela ineficácia legislativa.
Diante desse cenário, destaca-se a cultura patriarcal como impulsionador do impasse. Prova disso é uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, que a cada dez mulheres, sete sofrem assédio sexual, seja na rua, no trabalho ou transporte público. Nessa ótica, muitos filhos, desde pequenos, são ensinados pelos pais o ideário machista que a linhagem masculina para ser homem de verdade, precisa ser “pegador”, de modo que na vida adulta apresentarão comportamentos que os levam, muitas vezes, a cometer assédio sexual. Desse modo, tal panorama retarda a resolução da problemática, já que o patriarcalismo favorece a perpetuação desse quadro nocivo.
Além disso, evidencia-se a ineficácia legislativa como propulsor do empecilho. Segundo o filósofo inglês John Locke, em seu Contrato Social, afirma que o Estado surge para garantir os direitos naturais. Tal cenário, no entanto, não é perceptível na realidade, uma vez que falta de políticas públicas destinadas à criação de projetos para elaboração de leis mais eficazes faz com que grande parcela de mulheres fiquem vulneráveis aos atos de abusos sexuais, as quais resultam em agressões físicas e psicológicas. Logo, ocorre a banalização desse fenômeno, a qual contribui para a manutenção do problema.
Torna-se imprescindível, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve o assédio sexual no Brasil. Nesse viés, o Poder Executivo, justamente com os governos estaduais, devem criar campanhas de conscientização com objetivo de desconstruir a ideologia errônea da cultura patriarcal e desenvolver leis mais eficazes para que os indivíduos não cometam mais assédio sexual, por meio de políticas públicas, com auxílio de programas educativos e palestras ministradas por agentes de segurança pública. Espera-se, com isso, atenuar essas eventualidades em busca de um país melhor e, assim, desmaterializar a ficção do filme “O quarto de Jack” na sociedade brasileira.