Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 02/08/2021
´´Umas facadinhas de Nada´´ é uma obra da pintora Frida Kahlo, a qual redimensiona uma cena de violência contra uma mulher. Para isso, a artista utiliza o vermelho para simbolizar o sangue, que tanto tingiu o cenário quanto a moldura do quadro, técnica que trouxe realismo para a obra. Logo, respeitante à produção artística, os casos de assédio sexual remontam a realidade recriada por Frida Kahlo, pois esse problema cresce devido a duas essências: a objetificação da mulher e a omissão institucional.
A princípio, a instrumentalização do corpo humano, em especial o das mulheres, elabora formas de intimidação sexual. Tal acepção orquestra com o termo ´´Homo sacer´´, entendido pelo escritor Giorgio Agamben como um indivíduo dotado de sacralidade, mas que a perde devido ao desrespeito de sua natureza política e humana. Nesse viés, a objetificação feminina desconstrói a dignidade da mulher e a submete a um papel de escravidão frente aos prazeres masculinos. Em vista disso, o assédio sexual dialoga com a redução do corpo feminino ao prazer, isto é, as vítimas são rotuladas a atenderem os desejos lascívios dos criminosos. Por consequência, a ameaça verbal e física é submetida às mulhereres, pois tais caminhos buscam retirar prazer da natureza feminal.
Outrossim, a omissão das instituições corrobora para a progressão das intimidações concupiscentes. Essa verdade contempla a filosofia de Santo Agostinho, ao discernir que a não percepção do mal contribui para a presença desse. Analogamente, muitos poderes locais compactuam com o assédio sexual quando esse dispositivo não notabiliza a violência. Sobre isso, a falta de sistemas vigilantes e de ouvidorias para denúncia são razões que explicam essa omissão, à medida que as vítimas não ousam em confessar devido à ausência de suportes, além disso os relatos não progridem por causa da descredibilidade das autoridade quanto aos casos de violência. Desse modo, o indiferentismo institucional sintoniza com tal problema.
Portanto, competem aos agentes sociais sanarem o impasse do assédio sexual. Para isso, o Ministério da Mulher deve publicitar ´´podcasts´´ nas redes sociais, com a presença de músicas e debates que dignifiquem as mulheres, por meios das mídias, pois a objetificação feminina será descontruída, a fim de enobrecer a sua natureza política e humana. Em direção às prefeituras locais, propõe-se a projeção de ouvidorias públicas e sistemas de vigilância produtivos, os quais denunciem os criminosos e, ao mesmo tempo, escutem as reclamações das vítimas, mediante as verbas estatais, posto que revitalizarão as funções institucionais, com fins de diminuir a agressão sexual. Sem isso, em comparação com a obra ´´Umas facadinhas de leve´´, as intimidações concupiscentes continuarão com os mesmos diminutivos para simbolizar o caráter banal e comum dessa violência.