Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/08/2021

Martin Luther King, um renomado ativista norte-americano, falava que “Uma injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. Analogamente, o assédio sexual vivido por milhares de mulheres diariamente, é um empecilho ao convívio harmônico social, já que grande parte da população, especialmente a feminina, é injustiçada quando não goza do direito à segurança pessoal. Sendo assim, fruto das raízes históricas e da naturalização do assédio, este problema necessita de soluções emergenciais.

Em primeira análise, deve-se pontuar que as raízes históricas acerca do assédio sexual, se voltam mais para as mulheres em decorrência destas serem conhecidas como pessoas do sexo frágil, submissas e inferiores, percepções enraizadas culturalmente pelo patriarcado que é dominante até os dias de hoje, e que esteve presente desde os primeiros resquícios de uma formação de sociedade, de forma que a mulher sempre fosse vista como um objeto, imagem que não mudou muito, já que grande parte das mulheres ainda são tratadas como instrumentos sexuais ou domésticos. Para exemplificar esses fatos misóginos, é necessária a análise de músicas de funk que fazem sucesso entre todos os gêneros, como o hit dos cantores MC Don Juan e MC Hariel, “Lei do Retorno”, que deixa claro em sua letra que vai cometer atos sexuais com uma mulher e logo em seguida abandoná-la.

Paralelamente, é inegável a influência da banalização do assédio para os desafios de reduzir esse entrave que se encontra em diversos ambientes públicos, como a rua, o ônibus e o trabalho, onde segundo a pesquisa “Percepções sobre violência e assédio contra mulheres no trabalho”, do Instituto Patrícia Galvão, 36% das mulheres relatam que já se sentiram constrangidas com elogios no trabalho, entretanto, quando os entrevistadores apresentaram exemplos, 76% das mulheres, disseram que já tinham sofrido assédio. Desse modo, é perceptível que muitas pessoas, especificamente mulheres, veem o assédio moral e físico como forma de piada, brincadeira, carinho ou até mesmo afeto, tornando comuns atos repugnantes que deveriam ser reprimidos.

Nota-se, portanto, que é necessário intervir nesta problemática. Nesse sentido, o Governo Federal, em parceria com as mídias sociais, devem criar ações informativas em âmbito nacional, por meio da divulgação de campanhas que visem a equidade social, infográficos, publicações nas redes sociais e comerciais televisivos, a fim de popularizar e explicar melhor o conceito de assédio que é muito subjetivo na sociedade atual, além dos direitos das mulheres como cidadãs brasileiras. Assim, espera-se que a população entenda que os corpos das mulheres não são objetos sexuais e devem ser tratados com respeito e tocados só com permissão.