Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/08/2021
Assédio sexual ocorre quando um indivíduo falta com respeito com o outro, utilizando “piadas” de cunho sexual ou encostando em partes íntimas do corpo da vítima sem seu consentimento. Esse fenômeno, infelizmente, está presente no Brasil, devido ao fato de as poucas denúncias persistirem. Nesse contexto, as mulheres são as principais vítimas e, mesmo sendo uma questão seríssima, tendo um grande movimento que luta contra ela, a prática continua a ser vista com neutralidade pela maior parte da população. Dessa forma, em razão do receio de denunciar e do silenciamento, surge um problema complexo, que traz diversas consequências e precisa ser resolvido.
Sob um primeiro olhar, é preciso destacar que o receio de denunciar é uma causa latente do problema. Na série Sex Education, da plataforma de streaming Netflix, por exemplo, pode-se destacar o episódio em que uma das personagens sofre assédio no transporte público. Ao longo da trama, ela sente dificuldade de dividir o acontecimento com seus conhecidos e denunciar o abusador, visto que tem medo de sofrer novamente. Fora da ficção, percebe-se que esse fato ocorre com diversas mulheres no mundo todo, que fazem a escolha de ocultar a verdade, fato comprovado pela diminuição das denúncias em 19%, de acordo com o Portal do Governo Brasileiro. Logo, essa escolha ajuda com que a prática de assédio seja cada vez mais naturalizada, causando a permanência do problema na sociedade.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é o seu silenciamento. Segundo o filósofo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. De acordo com essa lógica, pode-se citar o caso recente do prefeito de Nova Iorque, Andrew Cuomo, que foi acusado de ter assediado suas funcionárias. Diante das acusações, fortemente negadas por Andrew, houve o afastamento das mulheres e o prefeito saiu ileso, comprovando a tese de que a omissão dos fatos ainda ocorre e torna sua resolução mais dificultada, paralelamente com a criação de uma lacuna em torno dos debates sobre o citado.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que o Governo, em parceria com o Poder Judiciário, fiscalize o cumprimento das leis que definem o assédio como crime e julgue os referentes casos de modo que, sucessivamente, eles sejam diminuídos. Além disso, cabe à prefeitura das cidades a realização de um projeto de conscientização da população sobre a questão, ensinando-os a importância da prática da denúncia. Tais ensinamentos devem ser realizados no período do contraturno e em locais públicos, para que cada vez mais indivíduos se juntem a fim de combater o assédio sexual. A partir dessas informações, poderá se consolidar um Brasil melhor e mais respeitoso.