Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/08/2021
A partir do século XX, as mulheres passaram a ter mais direitos através de leis e movimentos sociais, com o intuito de amenizar a desigualdade e violência sofridas por muitas. No entanto, por conta da sociedade que é estruturalmente patriarcal, muitas destas problemáticas perduram até a atualidade e uma delas, é o assédio sexual. Desta forma, é impossível não interligar a permanência do assédio sexual tanto com a culpabilização das vítimas, quanto com a negligência das autoridades a este grave entrave na sociedade brasileira.
Nesta perspectiva, percebe-se que desde os primórdios o assédio esteve presente na sociedade; muitas moças no século XIX eram culpadas pelo simples fato de perderem a “pureza”, mesmo quando sofriam violência sexual, tornavam-se “mal vistas”. Infelizmente, na atualidade a situação permanece, mesmo que de forma mascarada; Visto que, cotidianamente fatos como estes são exemplificados nas redes sociais, quando alguma mulher expõe um abuso sexual e logo em seguida algum internauta vêm questionar a roupa que vestia, sua profissão ou seu estado civil. Desta forma, um caso como este foi a denúncia de assédio de uma modelo que alegava ter sido estuprada pelo jogador Cristiano Ronaldo; O caso ocorreu em 2009 e o jogador, em todo momento, teve sua ação justificada, porque a vítima vestia roupas sensuais e estava “pedindo” para ser abusada, como a sociedade alegava na época, sofrendo então a culpabilização de um crime que ela mesma sofreu.
Indubitavelmente, questões como estas fazem com que cada vez mais as vítimas deixem de denunciar seus assédios e que os abusadores fiquem impunes. No entanto, não só a sociedade muitas vezes está contra a vítima, como também, as autoridades. Certamente, foi o que ocorreu no caso da Mariana Ferrer, estuprada em Florianópolis, em uma casa de festas, no ano de 2019, no qual a jovem possuía três provas diferentes do ocorrido; exame de corpo e delito afirmando o estupro, imagens das câmeras e exame toxicológico, o qual afirmava ter sido dopada. No entanto, ainda assim, teve sua dor negligenciada pela Justiça, ridicularizando seu caso em plena audiência, com a defesa do réu expondo fotos suas sensuais como justificativa de ter sofrido o abuso, tendo assim, o caso encerrado como “Estupro culposo”, fator que se quer existe na legislação brasileira.
Desta forma, faz-se necessário que as vítimas tenham o apoio das autoridades, para que casos de assédio e estupro sejam denunciados e os criminosos punidos. Neste sentido, é de extrema necessidade que o Órgão da Defensoria da Mulher, elabore uma campanha midiática através de propagandas de conscientização em canais abertos, como a Globo e SBT, que visem mostrar a necessidade do apoio às vítimas de assédio e a importância do papel da sociedade nestes casos.