Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 14/08/2021
Em Inacreditável, minissérie produzida pela plataforma de streaming Netflix e baseada em fatos reais, a jovem Marie Adler acorda com um criminoso mascarado em seu quarto e é vítima de estupro. Ao relatar aos policiais de Lynwood o ocorrido, a menina é pressionada constantemente, comete algumas incosistências nos detalhes do assalto e, mesmo com exames físicos comprovantes da agressão, é levada a assinar um testemunho de forma a confessar a invenção de todo o caso. Apesar de se suceder nos Estados Unidos, tal conjuntura não é incomum no Brasil - milhares de mulheres são objetificadas e inferiorizadas, fruto da sociedade patriarcal, machista e misógina na qual fomos construídos e cuja mentalidade ainda é mantida até mesmo por autoridades governamentais.
Sob o mesmo ponto de vista, a conduta feminina é corriqueiramente julgada por olhos machistas, os quais utilizam de argumentos vazios e justificam o crime por peças de vestuário, padrões de comportamento e até mesmo localização das vítimas. Apesar de certa visibilidade e autonomia adquirida pelo movimento feminista, as mulheres ainda sofrem com medo de andarem desacompanhadas à noite ou ainda usar saias em dias de calor. Esta situação pode ainda ser remetida à chegada dos portugueses no Novo Mundo, quando índigenas eram regularmente abusadas apenas para satisfazer as vontades dos portugueses.
Além disso, apesar de o governo brasileiro aclamar apoio às vítimas e prometer seu apoio e segurança, isso não é ptraticado. Mulheres têm medo de denunciar seus abusadores devido ao fato de que as medidas de afastamento e proteção raramente são efetivas, e o criminoso pode vooltar - agora com mais raiva. Ademais, a polícia e demais órgãos responsáveis muitas vezes seguem o modelo de pensamento patriarcal e até mesmo misógino, de forma a considerar o gênero feminino e submetendo-o a vários julgamentos desgastantes e, inclusive, constrangedores - cujos resultados são, frequentemente, a desistência da denúncia. Assim, o agressor continua livre e disponível para outros assuntos, e reinicia um ciclo vicioso.
Em virtude dos fatos apresentados, é visível a banalização do assédio e negligência com a qual as mulheres são tratadas, além da bagagem história e culturalmente patriarcalista em que o país foi construído. Logo, torna-se necessária a reversão de tal cenário, no qual cabe ao governo em suas esferas Legislativa e Judiciária criarem medidas mais sérias e efetivas, ao aumentar o tempo carceário, melhorar a fiscalização e o controle de denúncias e investir na educação, por exemplo. Isto posto, a reversão dessa conjuntura contribuirá para um convívio em ambiente mais justo, seguro e confortável tanto para homens como para mulheres, e, assim, é de vital importância.