Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/08/2021
No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma conduta de submissão feminina que compactuava com os valores morais da época. Nessa lógica, nos dias atuais, percebe-se que o problema do gênero consiste em descrever como as mulheres devem ser, em vez de reconhecer quem elas são, o que comprova um modelo arcaico enraizado na sociedade. Sob essa perspectiva, a cultura do assédio sexual no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para garantir o respeito e liberdade à mulher, intervenções são necessárias para a resolução dessa problemática.
Em primeiro lugar, uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a conduta feminina. Nesse sentido, o patriarcalismo ainda subjuga a mulher pela sua vestimenta, seu direito de ir e vir e empoderamento. Um exemplo disso é que, em países islâmicos e muçulmanos, como no Líbano e na Arábia Saudita, as mulheres precisam cobrir seus corpos por completo. Nesse contexto, tal conduta unifica o papel da mulher, pois o machismo justifica que aquelas que fujam a esse padrão ao usarem roupas curtas e saírem desacompanhadas estão propícias ao abuso. Desse modo, é urgente a necessidade de se combater os ideais conservadores.
Por outro lado, as redes sociais se tornaram uma ferramenta para tentar combater o assédio sexual. Isso se explica porque nas ruas, festas e no trabalho, as tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizaram, já que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Dessa forma, para engajar jovens e adultos contra a sensação de impunidade, campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio”, “Me Avisa Quando Chegar” e “Vamos juntas?” percorreram o Facebook e o Twitter a fim de denunciar as opressões vividas, trocar experiências e atrair a atenção da mídia e das pessoas para conter esse mal.
Portanto, a cultura do assédio se solidificou na sociedade brasileira e precisa ser combatida. Para tanto, a fim de alterar o olhar machista, debates e aulas de conscientização às crianças nas escolas fomentarão o respeito aos direitos da mulher. Além disso, os meios de comunicação, com impacto apelativo, devem transmitir noticiários sobre a equidade de gênero e problematizar a banalização do abuso, induzindo à reflexão e mudança na conduta conservadora dos indivíduos. O governo, por fim, sendo mais punitivo nas leis contra essa situação, garantirá o reconhecimento da liberdade das mulheres. Assim, personagens femininas submissas farão parte apenas da literatura romântica brasileira.