Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 27/08/2021

Segundo o sociólogo Karl Marx, a “reificação” do ser humano consiste na sua objetificação, isto é, tratá-lo como se fosse um objeto qualquer. Sob esse viés, o assédio sexual funciona como uma ferramenta de total coisificação da mulher, visto que ela é posta em um patamar inferior por seu abusador. Tal entrave, no Brasil, é corroborado tanto pelo medo da denúncia dos casos de assédio por parte feminina quanto pela banalização dessas ações no cotidiano masculino.

Inicialmente, é válido ressaltar que o receio em acusar o crime configura-se como um dos principais pontos da problemática. Nesse sentido, o pensador Pierre Bordieu argumenta que a dominação masculina funciona como um tipo de violência simbólica, a qual mantem um poder que se mascara nas relações de gênero. Diante de seu pensamento, o assédio sexual promove uma sensação de inferioridade para a vítima, a qual é sujeita a dominações e manipulações do poderio masculino dentro do cargo de assediador, seja no trabalho, em uma instituição educacional ou até mesmo no transporte, a mulher, diante de tais ações, se sente humilhada e retraída. Dessa forma, há a perpetuação de temor em denunciar caso haja um caso de abuso, visto que a dominação imposta pelo homem atinge não só diretamente, como indiretamente, na forma de hierarquias dentro de empresas, instituições e relações sociais, na qual a mulher é posta como um segundo plano.

Outrossim, nota-se, também, que a banalização do assédio é sumariamente presente na rotina masculina. De acordo a filósofa Simone de Beauvouir, o mais escandaloso dos escândalos é aquele em que a sociedade se habitua a ele. Analogamente, o assédio sexual é percebido de forma constante no cotidiano machista das relações sociais, tanto em conversas privadas, em grupos com outros homens quanto, sobretudo, em “cantadas” e falas desrespeitosas e, em muito, sexualizadas do corpo e das atitudes das mulheres. Desse modo, o assédio está efetivo a todo momento na vida feminina, inclusive por amigos e familiares, ainda que à vítima não perceba, pois o desrespeito perante ao sexo oposto tornou-se um hábito masculino.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação aluda de forma educativa o quão prejudicial o assédio sexual pode ser para à vítima. Tal ação necessita ser feita por meio de palestras em escolas com especialistas no assunto, além de propagandas nas redes sociais, junto a influenciadores do meio digital e mulheres que já sofreram assédio, para que a sociedade como um todo, seja jovem ou adulto, tenha a percepção da pauta e de como ela pode prejudicar a vida da mulher assediada, ainda que de forma imperceptível pelo sexo masculino. Por fim, ações como essa servem para que a população dê voz às mulheres e não às trate como apenas um “objeto”, análogo ao conceito de Marx.