Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 08/09/2021
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de relações sociais, a assédio sexual funciona como uma gota de sujeira poluidora. Nesse prisma, fatores como a falta de informação e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, a limitação de acesso a informações de como denunciar assédios sexuais mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Conforme Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão das pessoas determinam seu entendimento acerca do mundo. Nesse fala, o filósofo justifica a causa da problemática: se as pessoas não possuem informações suficientes — dados, infográficos, exemplos — sobre como denunciar atos de assédios sexuais em ambientes urbanos, laborais e residenciais; o campo de visão será limitado, e a sociedade continuará sofrendo com seres fragilizados e incapacitados de receberem ajuda para solucionar o empecilho. Por isso, é perceptível que a informatização do coletivo a fim de formar indivíduos capacitados a denunciar situações assediadoras, assim como de vítimas procurarem assistência.
Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre a importância do respeito ao gênero mostra-se como outro fator dificultador do bem-estar civilizacional. Segundo Hannah Arendt, na teoria da banalidade do mal, o ato preconceituoso passa a ser feito de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando com assédios sexuais em ambientes trabalhistas em que homens falam ou agem de forma pejorativa e erótica com mulheres, como exemplo, assobios ou frases sedutoras. Nesse sentido, essa situação tem origem em anos de exploração e desigualdade com o sexo feminino, o que acaba normalizando a discriminação nesse ambiente de trabalho, por exemplo, visto que está enraizado na cultura brasileira e mundial a ideia de o macho “conquistar” a fêmea, promovendo preconceitos. Por isso, essa banalidade de Arendt precisa ser combatida para impedir que o assédio sexual persista cotidianamente.
Portanto, medidas são necessárias para evitar o aumento do assédio sexual no Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Justiça realizar palestras, ministradas por psicólogos, com o “slogan”: “Denuncie!”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo — aberto e gratuito a toda população — entre o público presente e os especialistas sobre instruções e funcionamentos de como denunciar casos de assédio sexual nos variados ambientes existentes, com dados, relatos e infográficos, de modo que a população seja informatizada e ativista da melhora da qualidade de vida.