Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 15/09/2021

Em um levantamento recente, realizado pelo Instituto Olga, estima-se que cerca de 97% das mulheres já sofreram de assédio sexual. Logo, apesar das muitas conquistas feministas na contemporaneidade, percebe-se que a redução de casos desse tipo de agressão ainda é desafiadora, fato que se deve, sobretudo, à objetificação do corpo feminino, a qual é engendrada tanto pela pornografia quanto pela mídia.

De fato, a indústria pornográfica é uma das que mais fomenta o desrespeito à mulher. Isso é ilustrado pelo escritor Ben Shapiro no livro ‘‘Geração Pornô’’, no qual os impactos maléficos dos vídeos adultos para a mentalidade da população são destrinchados: alguns de seus consumidores passam a enxergar em todas as moças uma potencial parceira sexual, conforme acontece nas fantasias da pornografia. Em virtude disso, o corpo feminino passa a ser visto como objeto e, por conseguinte, o portador desse pensamento imagina ter o direito de assediar.

Outro aspecto, dessa vez cotidiano, que corrobora bastante para a objetificação da mulher está presente na mídia: é por meio dela que se reforçam as ideias patriarcais. Frequentemente, em propagandas, as moças são retratadas como um adorno para o ego masculino. Nesse cenário, por exemplo, houve um processo aberto contra a empresa Devassa, a qual comparou uma negra a uma cerveja, ou seja, um objeto a ser consumido. Ora, essa publicidade foi um indício nítido de como a objetificação em questão é reforçada pela publicidade, perpetuando a mulher como símbolo de devassidão e incentivando o assediadores.

É evidente, portanto, que tanto a indústria pornográfica quanto a midiática, ao fomentar a reificação do corpo feminino, dificultam a redução dos casos de assédio sexual. Por isso, é necessário conscientizar jovens acerca dos malefícios da pornografia, o que deve ser feito com a introdução do livro de Shapiro, por parte das equipes pedagógicas de escolas, nas aulas de ciências humanas. Ademais, cabe ao Ministério Público combater, por meio da fiscalização e aplicação de multas, publicidades que reforcem ideias patriarcais e, além disso, criar uma lista, disponível ao povo, que explicite quais empresas apresentaram comportamento misógino. Dessa forma, a objetificação da mulher será atenuada e os assédios sexuais, tão comuns no cotidiano, tornar-se-ão menos numerosos.