Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 16/09/2021

De acordo com pesquisas das jornalistas Juliana de Faria e Karin Hueck, criadoras da campanha “Chega de Fiu Fiu”, que visa combater o assédio sexual em espaços públicos, cerca de 85% das mulheres brasileiras já tiveram seu corpo tocado sem permissão publicamente. Este absurdo é advindo da chamada “cultura do estupro”, que consiste na naturalização da objetificação do corpo da mulher, incentivada pela pornografia e pelo machismo que permeia na sociedade.

Em primeira análise, no seriado adolescente “Sex Education”, a personagem Aimee sofre assédio sexual no transporte público enquanto se deslocava até sua escola. A cena chama atenção pela forma banal e naturalizada que é retratada a ação deplorável do assediador. Fora da ficção, na sociedade atual, a banalização da objetificação feminina também é algo cotidiano. Tal fenômeno é potencializado pela “cultura do estupro” em virtude da legitimação do assédio, uma vez que esta dissemina a ideia de que o valor da mulher é estritamente associado a suas condutas morais e sexuais.

Ademais, na sociedade atual, é comum a inversão de valores quando se trata de assédio sexual, culpando a vítima com justificações descabidas e inocentando o homem. Haja vista a cultura machista que incentiva os homens a consumirem pornografia e os associam ao ideal de brutalidade e carnalidade instintiva, que legitima o comportamento ignóbil e animalesco do indivíduo, e não leva em conta quaisquer vontades e direitos relacionados ao feminino.

Para a atenuação da quantidade de casos de assédio sexual será necessária a criação de campanhas e políticas públicas através de mídias sociais, a fim de minimizar a cultura machista inserida na população. Além de incentivar a empatia com o feminino, por meio da conscientização do público masculino do direito das mulheres ao respeito. Tais ações devem ser geridas por órgãos de competência governamentais, como por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública.