Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 17/09/2021
Segundo o aplicativo de transportes “99”, 64% das mulheres brasileiras afirmaram já ter sofrido assédio no cotidiano. Nessa perspectiva, na conjuntura contemporânea, nota-se desafios para reduzir os casos de assédio sexual, em decorrência da persistência no âmbito social de atos incovenientes e obsessivos contra o público feminino. Nesse contexto, urge analisar como a banalização social e a negligência estatal impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que os obstáculos para restringir os atos de assédio sexual estão intrinsecamente relacionados à banalização social. Conforme o Instituto Patricia Galvão, 92% das pessoas acreditam que mulheres sofrem mais situações de constrangimento e assédio no ambiente de trabalho do que homens. Nesse viés, a naturalização desse tipo de violência contra as mulheres tanto em ambientes públicos quanto privados favorece a permanência da cultura do assédio, uma vez que brincadeiras e comentários sexistas são vistos com muita naturalidade no cotidiano. Desse modo, milhares de mulheres são desrespeitadas diariamente, em razão da banalização do assédio, a qual afeta às relações sociais e laborais desse público.
Outrossim, vale salientar que a inobservância estatal acerca da resistência do assédio sexual propicia a manutenção desse cenário. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, teórico contratualista, o Estado é responsável por assegurar o bem-estar social de uma comunidade. Entretanto, a máquina administrativa rompe a tese de Hobbes, uma vez que não cumpre o seu papel de combater o assédio sexual. Nesse sentido, as políticas públicas voltadas a esse assunto não são suficientes para suprimir os assediadores e, consequentemente, esse ato é praticado constantemente, o que tangencia as prerrogativas constitucionais de isonomia e respeito. Dessa forma, a inoperância governamental em reverter esse quadro possibilita a continuidade do assédio sexual no meio social.
Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para reduzir os casos de assédio na esfera social. Logo, cabe a Mídia, como difusora de informações, promover campanhas nas redes sociais e canais abertos de televisão, as quais orientem as mulheres a denunciarem os casos sofridos de assédio e, concomitantemente, conscientizar a população acerca da importância de combater esse empecilho. Isso deve ser feito por meio de documentários e anúncios publicitários, em linguagem clara e acessível a todos os públicos, a fim de assegurar a todas a mulheres os direitos básicos garantidos na Magna Carta. Espera-se, com isso, a curto e longo prazo resolver esse imbróglio.