Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 06/11/2021
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, isso ainda é um grande desafio para o Brasil, visto que o assédio sexual em ambientes que a vítima deveria se sentir resguardada e protegida por seus direitos naturais ainda é um desafio para o Estado. Sendo assim, o governo deve priorizar políticas que incentivem a denúncia do assediador e a educação ética e moral dos alunos desde a infância para acabar com a cultura de assédio. Em uma primeira análise, é indubitável que a mulher é a principal vítima de assédio em locais de lazer, trabalho e até na própria residência, visto que ainda existem resquícios de uma sociedade patriarcal que enxerga o corpo feminino como objeto sexual. Segundo a filósofa Simone de Beauvor, o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplice entre os próprios oprimidos. Análogo a isso, percebe-se que se houvesse engajamento pelos recursos midiáticos sobre a importância da denúncia não apenas pela vítima, mas também pelo observador que flagra as cenas, pode contribuir para redução do número de casos. Desse modo, a mídia pode criar por meio de publicidades, com incentivos governamentais, campanhas que exaltem o quão importante é o papel do cidadão quando presencia cenas de constrangimento, já que sua denúncia pode ser fundamental para levar o abusador as autoridades e evitar que outras pessoas passem por essa situação. Em uma análise mais aprofundada, é inegável que o assédio sexual se tornou uma cultura e um grande desafio, haja vista que ele está enraizado em sociedade e cabe ao Estado resolver essa problemática. Sendo John Locke e a sua teoria da tábula rasa, o ser humano é como uma tela em branco preenchida por experiências e influências. Dessa forma, o indivíduo que desde a infância tem uma educação ética sobre respeito e empatia na sociedade dificilmente pode se submeter a comportamentos que ferem os direitos dos outros seres humanos. Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC) deve agir beneficiando matérias que também desenvolvam o aluno como ser humano empático na vida adulta. Sendo assim, a sociologia deverá ganhar mais espaço na grade escolar, uma vez que ela estuda e agrega nos comportamentos sociais. Torna-se evidente, portanto, que a temática sobre os desafios para reduzir o assédio sexual exige soluções imediatas. Por isso, é dever do MEC, como principal responsável pelo desenvolvimento ético e moral do aluno, promover ações que visem colaborar com a criação de um indivíduo que respeite os direitos individuais e seja coerente para tomar atitudes e denunciar quando flagrar cenas de qualquer categoria de violação sexual. Em suma, a melhor maneira de conseguir isso é inserir a sociologia desde os primeiros anos escolares como matéria fundamental, visto que o conhecimento sobre como agir em sociedade, o discernimento de certo e errado, e a importância das alteridades são coisas que essa matéria contempla e deve ajudar no desenvolvimento do caráter do cidadão e cortar de uma vez por todas as raízes do assédio sexual. Somente assim, será possível reduzir os casos de assédio e os direitos de todos serão garantidos, como proposto por Durkheim
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