Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 03/11/2021
O assédio sexual é um problema que assola o cenário brasileiro há muito tempo, entretanto, somente nas últimas décadas vem sendo amplamente discutido e notado. Instalado quase que como cultura no país, o ideal machista de muitos cidadãos associa determinados comportamentos como usar vestimentas curtas ou caminhar sozinha durante a noite, como sendo formas de convite a um abuso, de modo a não gerar peso na consciência por acreditar que a vítima “mereceu”. Por se tratar de uma forma de violência e ocorrer em números tão gritantes no Brasil, este impasse deve ser debatido com maior seriedade.
Algo que torna este crime tão hediondo é o fato de que não costuma fazer restrições, seja de idade ou mesmo de sexo. O único elemento variável é a fragilidade. Segundo uma pesquisa do IBGE realizada em 2021, cerca de 15% dos estudantes de 13 a 17 anos narraram já terem sofrido algum tipo de violência sexual pelo menos uma vez na vida, sendo o número de meninas bem maior que o de meninos. Isso mostra, juntamente de outros detalhes, que as vítimas são escolhidas com certa estratégia, sendo as mulheres e adolescentes mais assediados por terem menor capacidade de defesa.
Ademais, a popularmente chamada “cultura do estupro” possui grande influência, se não base, na ocorrência destes assédios. A ideia de que as mídias digitais são feitas de modo a sugerir a submissão feminina se mostra real em propagandas como os populares anúncios de cerveja, onde o corpo da mulher aparece com o máximo de exposição, passando uma impressão de disponibilidade e servidão. Ao longo do tempo, essas ideias vão sendo instaladas no imaginário dos homens, gerando comportamentos que refletem a sua crença de superioridade.
Em síntese, o assédio sexual no Brasil ocorre de forma covarde por preferir as vítimas menos capacidadas defensivamente e possui bases culturais. Para amenizar este problema, A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) deve utilizar a Casa da Mulher Brasileira, um serviço de proteção às mulheres, para realizar palestras em escolas públicas e em comunidades carentes, onde as informações chegam com maior dificuldade, para conscientizar a todos sobre seus direitos e sobre os riscos que correm, de acordo com as estatísticas. Desta forma, será promovida uma sociedade mais igualitária e um país mais seguro.