Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 08/11/2021

O quadro expressionista “O Grito”, de Edvard Munch, retrata a angústia, o desespero e o medo em meio a um cenário de completa desolação. De maneira análoga, mulheres de todo o país sentem os mesmos sentimentos demonstrados na obra ao serem submetidas a casos de assédio sexual que, infelizmente, são recorrentes no Brasil. Deve-se, portanto, analisar os principais fatores que corroboram a perpetuação desses casos, dentre os quais se destacam o receio de denunciar e o pensamento atrasado de parte da população, com o intuito de mitigar essa problemática.

Precipuamente, cabe salientar que o ato da denúncia é uma importante ação para combater o problema, principalmente pelo fato de os casos de abusos e violência sexual terem aumentado durante o período da pandemia de Covid-19. De acordo com dados do Instituto Datafolha, a cada minuto, cerca de oito mulheres sofreram com atitudes que feriram a sua integridade física ou moral, evidenciando a gravidade da situação atual. Desse modo, o imperativo categórico, proposto pelo filósofo Immanuel Kant, encaixa-se nesta lógica: é dever do cidadão agir conforme princípios que ele considera benéficos, caso fossem seguidos por todos os indivíduos. Logo, denunciar é uma postura que, se for tomada por todos, tem o potencial de transformar o triste panorama atual, atenuando-o.

Outrossim, percebe-se que casos de abuso e assédio são frutos do pensamento atrasado de boa parte da população brasileira. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social age como um força externa, moldando a maneira de agir e pensar da sociedade. Em virtude disso, é notório que atitudes condenáveis como essas são oriundas de um pensamento arcaico de que a mulher é um ser com obrigações domésticas e reprodutivas, característico de períodos como a Idade Média. Assim, mudar a concepção hodierna, influenciada por raízes históricas, torna-se uma tarefa árdua, porém necessária para a cura de uma doença social, tal qual o assédio contra a mulher.

Destarte, casos de abuso sexual e psicológico contra as mulheres caracterizam um problema nacional, o qual deve ser diligentemente combatido. Para isso, urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, órgão federal responsável pela formulação de políticas públicas e promoção de ações voltadas aos direitos das mulheres, em parceria com o Ministério da Educação, propicie uma educação social que transforme a mentalidade da sociedade, construindo um pensamento respeitoso desde a infância. Essa ação será tomada pelo intermédio de palestras realizadas nas escolas com especialistas entendedores do assunto, tendo como objetivo diminuir os casos de assédio e aumentar o número de pessoas cientes do dever de denunciar essas ocorrências. Somente assim, o quadro “O Grito” deixará de ser a retratação fiel da situação do Brasil.