Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 31/10/2023

No quadro Baladas, do Pânico na TV, é retratada a postura de homens ao se depararem com atrizes que estão fingindo embriaguez e perda de consciência. Nesse programa, é mostrado que a maior parte dos homens são inconsequentes em suas atitudes com essas moças. Fora das telas, esse comportamento repugnante de assédio é uma realidade que se perpetua no Brasil, seja pelos pensamentos retrógrados ou pela negligência estatal sobre essa problemática.

Em primeiro plano, convém pontuar que a mentalidade antiga corrobora a manutenção do assédio sexual no país. Sob esse viés, o sociólogo francês Emily Durkheim criou o termo Fato Social - no qual a maneira de agir e pensar do indivíduo é moldada pela sociedade em que ele está inserido, tornando-a algo natural. Desse modo, a perpetuação do pensamentos de objetificação da mulher na sociedade ilustra o conceito do Durkheim. Com isso, enquanto homens tratarem mulheres como ferramentas de prazer, casos de assobio ou toques não concentidos serão uma triste realidade que muitas brasileiras terão que enfrentar.

Ademais, a omissão do Estado favorece a continuidade desse cenário preocupante. Sob essa perspectiva, o sociólogo inglês John Locke fundou o termo Contrato Social - no qual é dever do corpo estatal a garantia dos direitos e deveres básicos a todos os cidadãos. Dessa forma, a não interrupção desse quadro de assédio expressa a ineficiência do Estado em cumprir o seu papel proposto por Locke. Diante disso, a falta de ensino nas escolas sobre os limites de atitudes com as mulheres manterá os dados da consulta sobre assédio realizado pela Campanha Chega de Fiu FIu, no qual mais de 75% das entrevistadas relataram sofrer algum tipo de toque físico não permitido ou cantadas no meio das ruas.

Faz-se necessário, portanto, que se reverta essa problemática. É indispensável que o Governo Federal - órgão responsável pelas demandas sociais, em parceria com as escolas e o Ministério das Telecomunicações, promovam a mudança da mentalidade social, por meio de propagandas televisivas sobre a importância da denuncia e, também, campanhas escolares pela valorização da mulher e seu papel na sociedade, com o objetivo de conter o avanço do assédio sexual em todas as esferas sociais. Assim o Brasil ficará curado dessa gravíssima doença social