Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 14/07/2025

Segundo o educador Paulo Freire, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Consonante a isso, no Brasil hodierno, são cada vez mais recorrentes os casos de assédio sexual de natureza diversa, tornando necessária a discussão acerca da temática. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a reprodução de comportamentos opressores comuns à sociedade e a deslegitimação das vítimas de assédio são alguns dos muitos desafios enfrentados para reduzir os casos de assédio sexual no Brasil.

Primeiramente, no livro “O Diário dos Escritores da Liberdade” é retratada a forma como indivíduos na juventude são mais suscetíveis a replicar ideias e comportamentos de seus ciclos próximos, mesmo que danosos, por falta de instrução, tornando-se adultos opressores. Nesse sentido, é de suma importância que o tema seja abordado com os jovens, tendo em vista debater sobre, desconstruir e racionalizar o assunto, para que essas cadeias de reprodução cessem e o tema seja visto com seriedade e respeito desde o princípio da formação.

Em segunda análise, casos como o do bilionário Jeffrey Epstein e companhia, evidenciam como as vítimas de assédio são muito deslegitimadas e seus perpetradores por vezes saem impunes. Ademais, são processos complexos que ainda são vistos com grande subjetividade e dependem de diversos fatores para que haja uma análise justa. Sendo assim, a luta contra o assédio é prejudicada ao promover vulnerabilidade extrema às vítimas e corriqueiramente não proporcionar punição adequada a indivíduos de conduta atroz, não provendo circunstâncias que incitem a busca por justiça.

Infere-se, destarte, que a conjuntura é grave e exige medidas capazes de mitigar seus efeitos. Primordialmente, o Ministério da Educação deve, por meio da capacitação dos seus profissionais, instruir os jovens durante a graduação, de forma a não mais perpetuar atitudes e convenções sociais que causem mazelas à sociedade como um todo. Desta forma, vislumbrar-se-á uma sociedade na qual a educação, como forma de libertação, promova o desenvolvimento adequado dos cidadãos, assim como propusera Paulo Freire.