Desafios relacionados à restrição do uso de celulares nas escolas brasileiras

Enviada em 23/08/2026

Na obra A República, o filósofo grego Platão idealiza Kallipolis, cidade pautada pela harmonia e pelo bem-estar coletivo. Essa concepção de sociedade tornou-se um paradigma ao longo dos séculos, orientando as nações na busca por uma realidade mais equitativa e próspera. Contudo, mais de dois milênios após a formulação da utopia platônica, os desafios na restrição do uso de celulares nas escolas evidencia, no Brasil, uma realidade que merece atenção. Portanto, a indiligência governamental e a dependência digital são fatores que favorecem essa questão.

De início, é necessário ressaltar a desassistência do poder público como fator agravante da ausência de restrições ao uso de celulares em ambientes escolares. A Constituição de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”, consagrou os direitos sociais como fundamentos da sociedade brasileira, estabelecendo o acesso à educação como um dos pilares da nação. Contudo, o Governo permanece omisso na efetivação desse princípio, em virtude da escassez de investimentos destinados ao combate do uso de dispositivos eletrônicos nas escolas. Nesse sentido, a falta de restrição na utilização desses dispositivos favorece a distração dos alunos, e consequentemente, compromete sua aprendizagem.

Ademais, é coerente apontar que o vício tecnológico impacta a questão. Nesse viés, de acordo com Nicholas Carr, “O excesso de estímulos proporcionado pela internet fragmenta a atenção e favorece um pensamento mais superficial”. Diante do exposto, ao interpretar tal pensamento, é possível perceber que o uso excessivo de celulares durante o cotidiano faz com que os jovens não consigam administrar de maneira efetiva esses dispositivos nos ambientes escolares assim, eles acabam apresentando maior dificuldade de se concentrar, socializar e ficam mais ansiosos, o que acaba afetando o seu desenvolvimento intelectual.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado- instituição soberana e garantidor de direitos fundamentais- por intermédio do amplo apoio dos poderes estaduais e municipais, promova a realização de palestras e campanhas publicitárias que ressaltem a importância da proibição do uso de celulares nas escolas, a fim de melhorar o processo de aprendizagem e fomentar a consciência e criticidade aos indivíduos.