Desafios relacionados à restrição do uso de celulares nas escolas brasileiras

Enviada em 21/09/2026

No livro “Intoxicação Digital” Augusto Curry destaca como a atualidade está imersa no uso exagerado de celulares, o que afeta tanto o convívio social, quanto o aprendizado. Nesse contexto, há uma utilização funcional para determinadas situações, mas disfuncional para outras, como no meio escolar, o que contribui para criação de desafios para a restrição desses aparelhos no meio acadêmico. Assim, tendo como fatores causadores a resistência cultural e a falta de políticas estatais para efetivação de novas leis.

Sob esse viés, há, primordialmente, oposição por parte dos estudantes em relação aos mecanismos impostos pelas instituições de ensino. Nessa ótica, Stuart Hall, analista cultural, destaca que a resistência a normas é uma das maneiras pelas quais indivíduos lutam contra ações que interferem em rotinas identitárias. Nesse raciocínio, alunos que, em sua grande maioria, dispõem de aparelhos celulares e diariamente usufruem deste meio tecnológico, muitas vezes rejeitam tentativas, embora válidas, de retirar tais benefícios. Dessa maneira, cria-se a primeira barreira contra a restrição no meio educacional.

Além disso, como segundo fator perpertuador do problema, está a pouca atuação do Estado na efetivação de medidas que impulsionem a aplicação das normas. Nesse sentido, Locke expresa em seus estudos que, o governo, como detentor do controle em um regime contratualista, deve criar caminhos para que leis sejam aplicadas. Assim, se o poder público não oferta maneiras de estabelecer restrições ao uso de smartphones em salas de aula de modo eficaz, seja por infraestrutura inadequado, até descaso quanto a capacitação de profissionais, o contexto permanece inalterado, o que gera consequências no desenvolvimento intelectual dos alunos.

Portanto, exitem dois impasses para que a restrição de celulares nas escolas seja produtiva, a resistência cultural e a falta de incentivo estatal. Logo, o Estado, deve, por meio das instituições de ensino, adotar nova metodologia de ensino, de modo que tenha como foco o aprendizado ativo e participativo, como o método PBL, o qual incentiva os alunos a participarem das aulas, promovendo redução do uso de tecnologias de modo geninuino, o que evita oposições.