Desafios relacionados à restrição do uso de celulares nas escolas brasileiras
Enviada em 09/10/2026
Na obra “O Povo Brasileiro”, o antropólogo Darcy Ribeiro analisa a formação histórica do país e demonstra como a trajetória social e política do Brasil produziu desafios estruturais que comprometem o avanço nacional, sendo o uso exagerado de aparelhos tecnológicos um entrave expressivo ao desenvolvimento pleno da nação. Por certo, tal problemática persiste pelo descaso governamental e pela recorrente negligência social.
Diante desse panorama, é relevante destacar a insuficiência da ação estatal. Sob esse viés, o filósofo Nicolau Maquaivel afirma que os governantes orientam suas decisões pela lógica da manutenção do poder e relegam o bem comum a segundo plano. Nessa lógica de autopreservação, instala-se um quadro de negligência política: recursos destinados à restrição de smartphones em ambientes escolares permanencem escassos porque políticas voltadas a essa pauta não geram retorno eleitoral significativo aos políticos. Para além disso, a genda pública costuma ser moldada por interesse econômicos de grupos financeiramente privilegiados, que pressionam o Estado a priorizar demandas lucrativas, relegando demandas menos rentáveis, como auxílios modernos estudantis, a um plano secundário. Por conseguinte, há uma perpetuacão do uso excessivo de celulares nas escolas.
Ademais, a omissão social diante do cerceamento de aparelhos eletrôncios contribui de forma decisiva para sua persistência. Nesse sentido, a filósofa Hannah Arendt, em seu conceito de “banalidade do mal”, explica que problemas sociais se consolidam quando a população, por indiferença ou conformismo, aceita situações problemáticas como naturais. Sob essa ótica, nota-se que grande parte da sociedade tende a encarar a acentuada usabilidade de aparatos tecnológicos como algo comum e pouco relevante, o que reduz debates públicos sobre o tema e enfraque a pressão por políticas efetivas. Tal postura é alimentada por fatores como a desinformação, o individualismo e a crença de que a responsabilidade pela mudança cabe apenas ao Estado, o que gera um ciclo de passividade coletiva e legitima a permanência da injustiça a