Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 10/07/2020

Segundo Simone de Beauvoir, filósofa existencialista, ‘’ O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.’’. Tal afirmativa se relaciona com a realidade do cenário nacional hodierno, visto que, apesar da vigência de uma relação desarmônica entre indivíduo e meio ambiente, poucos são os esforços para modificar o panorama. Esse problema latente possui contornos específicos, como o descaso estatal, bem como a alienação.

.   Em primeiro plano, é necessário destacar a errônea atuação governamental. Embora a constituição seja integrada por princípios que assegurem uma esfera ecologicamente preservada, nota-se a negligência estatal, pois há a promoção de deficitárias medidas preventivas, como o observado a partir do desastre de Mariana, o qual ocorreu devido à implementação de represas inadequadas, mas também pela ausência de rígidas inspeções. Consoante ao pensamento do filósofo Rousseau, quando o Estado não realiza seus deveres, há uma violação do contrato social. Como consequência, tal descumprimento evidencia que o ideal de plena cidadania se converte apenas em um mecanismo que compõe o imaginário popular, uma vez que não há efetividade de tais diretrizes para a totalidade do corpo social.

Ademais, é oportuno comentar sobre a alienação. Sob esse viés, a filósofa Hannah Arendt, autora da obra ‘’ Banalidade do Mal’’ afirma que a sociedade pós-moderna, através da massificação coletiva, forma indivíduos alienados, isto é, presos em suas bolhas imaginárias, sendo, indubitavelmente, inerentes às suas realidades. Dessa forma, torna-se evidente que esse elemento mutila a cidadania, pois é uma medida excludente, que reprime o desenvolvimento de quaisquer atitudes reacionárias da população sobre os problemas ambientais, e também em relação à ausência de iniciativas do poder executivo.

Portanto, pode-se inferir que novos caminhos precisam ser elucidados para a superação do impasse. Sendo assim, é necessário que o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) englobe debates às esferas midiáticas, expondo notícias e diálogos sobre a temática. Paralelamente, o Governo Federal deve ampliar a fiscalização das áreas ecológicas do país. Essa iniciativa deve ser realizada de maneira constante, averiguando o pleno exercício das normas integradas à magna carta. A efetivação da medida exposta será realizada por meio da elaboração de um projeto, que proponha regulamentações e vistorias constantes, com a participação de profissionais. A proposta objetiva propiciar a consciência ambiental e o desenvolvimento nacional. Somente assim, com a articulação entre poder público e social, haverá a superação do escândalo que integra a sociedade brasileira.